CRÍTICA | The Weather Station – Ignorance


Foto da banda The Weather Station

Tamara Lindeman, compositora, vocalista e multi-instrumentista, é a figura central em Ignorance do The Weather Station. O álbum foi produzido por ela em parceria com Marcus Paquin, e é ela que também estampa a bela capa do disco, o primeiro sob a chancela do selo Fat Possum.

Do começo essencialmente acústico dos trabalhos iniciais para a progressão a um arcabouço mais rico, com canções estruturadas em torno de banda, orquestrações e elementos musicais diversificados, a vocalista alcança aqui com o seu projeto o que pode ser considerado o momento máximo da carreira.

Os significados encontráveis no disco não são exclusivos da embalagem, que mostra Tamara usando um terno adornado com espelhos, numa foto em meio à natureza ou no título que classifica a realidade atual. É possível encontrar principalmente nas letras, que acrescentam muitos outros, com a relação destrutiva da nossa sociedade e o meio ambiente, por exemplo, sendo um tema presente, mas não exclusivo. Ele está nos versos de “Atlantic”: “Meu Deus, pensei / “Meu Deus, que pôr-do-sol! O sangue vermelho inunda o Atlântico / Com um vinho em minha mão”.

A importância e o tempo que dedicamos em redes sociais é ouro tema do álbum, está nos versos de “Separated”: “Você tenta novamente seus argumentos contra mim / Eu tento e lhe digo novamente / Mas se você quisesse me entender, você poderia / Se você quisesse segurar minha mão, você faria / Mas você não quer”.

Tendo deixado claro na página do Bandcamp que escreve canções sobre coisas que existem, ela expõe sua posição e perplexidade diante da cegueira predominante: “Eu estava pensando sobre o peso da crise climática – tipo, como você pode olhar pela janela e amar o mundo quando você sabe que ele está tão ameaçado e como essa ameaça e essa dor atrapalham o amor ao mundo e a existência capaz de se envolver com ele”.

Ignorance mostra uma sonoridade mais abrangente que seu antecessor e formato com potencial até radiofônico. Há poucas mudanças em relação ao álbum homônimo de 2017, que por momentos direcionava para climas mais intimistas. Com voz suave e canto delicado, a vocalista conduz as canções num percurso de alterações mínimas, gerando certa monotonia devido ao andamento e uso de elementos semelhantes de alguns arranjos. Acompanhar o discurso embutido nas letras, que tem o uso de metáforas em recorrência, permite uma melhor absorção da obra, que quando muda o ritmo é para abrir espaço para baladas ao piano, vide as delicadas “Trust” e “Subdivisions”.

Os órfãos dos Cowboy Junkies, conterrâneos do grupo, e do Pop com aceno Folk e letras inteligentes estarão em casa, e mesmo aqueles que não se identificam com esses aspectos poderão encontrar elementos de interesse em Ignorance, um exemplo de Pop bem feito e que usa elementos comuns sem se entregar aos clichês usuais do gênero.

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