CASAL IMPROVÁVEL (Long Shot, 2019)


Cena do filme Casal Improvável

“Comédia romântica consegue dar novos ares e frescor ao gênero, mesmo reafirmando a antiga máxima de que os opostos se atraem”

Quais os ingredientes necessários para uma boa comédia?

Os mais apressados diriam que uma boa comédia é a que simplesmente faz rir. Porém,
existem muitos outros atributos e fatores a serem observados.

Para analisarmos mais profundamente essa questão, precisaríamos tentar entender quais os
alicerces desse gênero tão amado.

O fato é que, desde a invenção do cinema, a comédia já adquiriu inúmeras representações,
inclusive incorporando tantos outros gêneros, que hoje em dia fica difícil encontramos alguma produção que represente a “pura comédia”.

Mas uma coisa é comum em todas as produções do gênero: o escapismo. E quando esse
escapismo é bem utilizado, como é o caso de Casal Improvável, nos deparamos com um filme que utiliza o lúdico e a leveza para abordar temas extremamente profundos e sérios.

É algo extremamente difícil fazer rir a partir de uma história que envolve um jogo político imundo baseado em nossa realidade, envolvendo também a problemática do machismo, do sexismo, do peso da opinião pública na vida particular e uma discussão em segundo plano muito certeira sobre intolerância político-partidária, Então, nesse caso, o riso vem contido, mas quando acontece é tão recompensador que vale a pena esperar.

A direção estilosa de Jonathan Levine, do subestimado Meu Namorado é um Zumbi, e o roteiro inteligente do Dan Sterling, das séries Girls e The Office (US), conseguem transitar por temas sérios de uma maneira extremamente elegante, mérito da produção esmerada e da atuação excelente da Charlize Theron, que nos brinda o tempo inteiro com sua presença bela e imponente, fazendo uma espécie de Hilary Clinton rejuvenescida.

Ela interpreta a Secretária de Estado, Chalotte Field, que está prestes a concorrer à presidência dos EUA. O acaso coloca em sua equipe de assessores o jornalista desempregado e ativista de oposição, Fred Flarsky, interpretado de maneira contida e cativante pelo Seth Rogen. A Charlotte havia sido babá do Fred durante a adolescência e essa familiaridade vai aproximando os dois em níveis cada vez mais íntimos, mesmo contra todas as probabilidades.

Não há nenhuma novidade na problemática romântica proposta, visto que já vimos inúmeras vezes casais improváveis lutando para superar as diferenças em inúmeros outros filmes, vide A Bela e a Fera, por exemplo. O que faz a diferença no caso deste filme é todo o entorno e a contextualização histórica, claramente baseada em nossa realidade.

Respondendo ao questionamento inicial do texto, após assistir Casal Improvável, podemos afirmar que uma boa comédia é aquela que tem inteligência suficiente para se tornar relevante, utilizando os fundamentos escapistas, irreverentes e até surrealistas intrínsecos ao gênero, para fazer a audiência rir, pensar, refletir e re-significar temas extremamente importantes, em uma espécie de retrato “exagerado” do mundo no qual vivemos.

:: NOTA: 7,5


NOTA DOS REDATORES:
EDUARDO SALVALAIO: –
ISAAC LIMA: –
LUCIANO FERREIRA: –
MÉDIA: 7,5


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Cartaz do filme Casal Improvável

:: FICHA TÉCNICA:

Gênero: Comédia, Romance
Duração: 2h05min
Direção: Jonathan Levine
Roteiro: Dan Sterling, Liz Hannah (screenplay by)
Elenco: Charlize Theron, Seth Rogen, June Diane Raphael, Ravi Patel, Andy Serkis, Alexander Skarsgård e outros
Data de Lançamento: 20 de junho de 2019 (Brasil)
Censura: 16 anos
IMDB: Long Shot

 

 


:: Assista ao trailer:

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