Red Hot Chili Peppers – Freaky Styley


Foto do Red Hot Chili Peppers em 1985

Para quem caiu aqui nessa coluna de forma “desavisada”, achando até estranho o seu título, nunca é demais alguns esclarecimentos. Isso porque, analisando o título com um olhar atual, considerando que já de alguns anos o formato vinil se tornou tão procurado/vendido, pode parecer esdrúxulo alguém criar uma coluna com tal nome. Tive? Como assim? Eu tenho! Eu sempre tive! Alegarão alguns.

Bem, eu não tenho mais nenhum!

Para entender a ideia da coluna é preciso voltar no mínimo uns 13 anos atrás, quando tinha um blog chamado Music Non Stop/Love No More, onde resgatei uma ideia inicial surgida em um outro blog chamado Urge!, que estava hospedado no Blogger, de propriedade da Globo, e que foi sumariamente deletado. Ou seja, a ideia inicial da coluna deve ter por volta de 20 anos.

Se pensarmos sobre a situação do vinil ali por volta de 2002, talvez o título da coluna faça um pouco mais de sentido. Somado a isso, como já explicado em alguma edição anterior, todos os meus vinis foram vendidos (por questões financeiras) ou doados, por questões de amizade e desinteresse pelo formato à época. A ideia da coluna é falar de meus vinis e também um pouco sobre mim e minha relação com a música, além de outras coisas: amigos, lojas que frequentava/comprava vinis, etc.

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Não posso dizer que tive (ou tenho) uma relação afetiva profunda com todos os discos de minha coleção, Freaky Styley, do Red Hot Chili Peppers entra nesse rol, juntamente com tantos outros que certamente ainda não deram as caras por aqui, muitos deles justamente pela razão acima: a relação afetiva mais intensa.

O Freaky Styley, adquirido muito provavelmente na loja Muzak (nem sempre vou lembrar onde adquiri meus discos) veio parar em minhas mãos porque estava lá dando sopa na loja. Por certo estava na promoção e não tinha opções melhores de compra. Não conhecia o álbum, mas parecia uma boa aposta adquiri-lo para ver no que dava. Até porque, na época em que eu o adquiri (por volta de 1988/89), a banda estava sendo bastante comentada, não por esse álbum, mas pelo Mother’s Milk.

Não tinha referências do que iria encontrar aí, nem cheguei a ouvir na loja. Peguei, paguei e levei. Sendo um aprendiz e amante do contrabaixo, imaginei que não me decepcionaria com o disco e a capa descoladamente colorida e um tanto anárquica era para mim um dos atrativos, diferente dos álbuns Pós-Punk que costumava escutar (quem pensou em Closer ou Unknown Pleasures, acertou!).

Disco rolando na vitrola e a percepção inicial foi de que a banda estava mais inclinada para o Funk setentista do que para para a mistura incrível que eles viriam a fazer em álbuns posteriores, inclusive no Uplift Mofo Party Plan, que vem logo depois desse.

A presença de George Clinton (Funkadelic/Parliament) na produção acho que explica muito desse direcionamento mais para o Funk do que para o Rock ou para a fusão que viria a seguir. Além disso, esse é apenas o segundo álbum do grupo, que estava em fase de lapidação e criação de uma identidade própria. Há aqui duas covers: “Hollywood (Africa)” (do The Meters) e “If You Want Me to Stay” (de Sly and the Family Stone), que explicam algumas das influências do grupo.

Não vou mentir. Fiquei decepcionado com o disco. Achei que as linhas de baixo não eram lá essas coisas (claro que há boas linhas, mas esperava algo mais), mas o principal era que esse não era o RHCP que esperava encontrar no disco. Apesar disso, nunca desgostei dele de todo, há momentos bem bacanas: a pretensiosa “Nevermind” (que fala para esquecer um monte de bandas, inclusive o Duran Duran, Soft Cell e outras), “Freaky Styley”, “Blackeyed Blonde” e “Catholic Shoool Girls Rule”, que prenuncia o RHCP que viria a seguir junto com “Sex Rap”.

+++ Leia a coluna anterior com Low Life, do New Order

O interessante é que ouvindo o disco enquanto escrevo, minha percepção segue a mesma de algumas décadas (ops!) atrás. Enfim, um disco de uma banda em fase de desenvolvimento e que serve para mostrar a evolução ao longo de sua timeline e, apesar de tudo, um grande avanço em relação ao disco de estreia, que foi produzido por Andy Gill.

DETALHE: Nesse álbum a banda tinha na formação Flea, Anthony Kiedis, Hilel Slovak (guitarra) e Cliff Martinez (bateria). Mas algumas faixas são creditadas a Jack Sherman (guitarra) e Jack Irons (bateria).


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