BE FOREST – Knocturne (2019)


Foto da banda italiana Be Forest para resenha do álbum "Knocturne" (2019)

“Terceiro álbum do Be Forest é bonito, de uma beleza já conhecida, o que não impede de encantar”

Em seus primeiros anos o selo inglês 4AD meio que se tornou um lar para um punhado de bandas que faziam uma sonoridade com alguns pontos de intersecção, geralmente canções de tons obscuros, densos, mais apropriadas para ambientes mais escuros. Lá estavam o Bauhaus, The Birthday Party (primeira banda de Nick Cave), Clan of Xymox, Cocteau Twins, Dead Can Dance e nomes menos comentados como Modern English, X-Mal Deutschland, Dif Juz, Colourbox, Wolfgang Press, e o projeto que reunia todos, o This Mortal Coil.

Tivessem surgido trinta e cinco anos antes, talvez os italianos de Pesaro do grupo Be Forest conseguissem uma chance de se abrigar nesse grande “guarda chuvas” de Ivo Watts-Russell e Peter Kent, já que sua sonoridade condensa quase todos os elementos presentas na proposta das bandas do selo do duo. Ambos estão na ativa, a 4AD expandiu seu cast por musicalidades diversas, The National, Beirut, Deerhunter são alguns nomes do selo; Be Forest, por seu lado, segue preso em sua máquina temporal com o ponteiro parado ali entre 84/85.

“Knocturne”, terceiro álbum do grupo, manda uma mensagem direta ao cérebro de fãs tanto dos australianos do Dead Can Dance quanto dos escoceses do Cocteau Twins.

A sonoridade aqui é algo que a banda já havia apresentado em seus dois álbuns anteriores, “Cold” (2011) e “Earthbeat” (2014), sugerindo então variações sobre o mesmo tema ou, sendo mais claro, variações dentro do próprio estilo.

Se o álbum anterior deixava uma porta entreaberta para algo com mais personalidade, com aproximação com sons mais contemporâneos, o trio preferiu não adentrá-la. Isso faz com que “Knocturne” acenda uma chama de brilhos e calores antagônicos que não se desvanece na audição. Esse antagonismo nos aprisiona e, às vezes, incomoda ao longo dos cerca de trinta minutos e nove canções, padrão seguido pela banda desde seu primeiro álbum.

Se o álbum ganha pontos pela beleza estonteante dos arranjos, belos vocais e capacidade de transportar por paisagens oníricas reconfortantes, perde pela mensagem direta, citada no segundo parágrafo, que insiste em nos enviar. O lado mais sonhador está muito mais presente, conduzido pelos timbres de guitarras etéreos de Nicola Lampredi, que se vale de distorção moderada e generosos efeitos melodiosos de chorus, delay e reverb. Seguem-se as batidas sempre tribais e os vocais delicadamente sedutores de Costanza Delle Rose (baixo e voz) e Erica Terenzi (bateria e backing vocals).

:: NOTA: 8,0


NOTA DOS REDATORES:
Eduardo Salvalaio: –
Eduardo Juliano: –
Isaac Lima: –

MÉDIA: 8,0


:: LEIA TAMBÉM:

COCTEAU TWINS – Blue Bell Knol (1988)
DEAD CAN DANCE – Spleen and Ideal (1985)


Capa do álbum "Knocturne", da banda Be Forest

:: FAIXAS:
01. Atto I
02. Empty Space
03. Gemini
04. K
05. Sigfrido
06. Atto II
07. Bengala
08. Fragment
09. You, Nothing

 

 


:: Ouça o álbum

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