‘Extermínio: O Templo dos Ossos’ e o horror como espelho da ruína humana


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‘Extermínio: O Templo dos Ossos’ aposta no terror extremo e no fanatismo para discutir violência, fé e colapso moral


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FICHA TÉCNICA E MAIS INFORMAÇÕES:

TÍTULO ORIGINAL: 28 Years Later: The Bone Temple
ANO: 2026
GÊNERO:
PAÍS: EUA
IDIOMA: Inglês
DURAÇÃO: 1:49 h
CLASSIFICAÇÃO: 18 anos
DIREÇÃO: Nia DaCosta
ROTEIRO: Alex Garland
ELENCO: Ralph Fiennes, Nicholas Hoult Jack O’Connell, Alfie Williams, Connor Newalle outros
AVALIAÇÕES: IMDB


Extermínio: O Templo dos Ossos reafirma a força da franquia ao tratar o terror não apenas como espetáculo, mas como ferramenta para refletir sobre o que ainda resta de humanidade em cenários de colapso absoluto. Em meio ao caos, a música surge como refúgio simbólico e emocional: canções icônicas como “Ordinary World”, do Duran Duran, e “The Number of the Beast”, do Iron Maiden, aparecem de forma pontual e brilhante, funcionando como comentários irônicos e melancólicos sobre um mundo à beira da extinção.

A direção de Nia DaCosta se destaca ao dialogar com referências clássicas. O filme evoca Apocalypse Now (1979) e, por consequência, Coração das Trevas, de Joseph Conrad, para construir uma jornada marcada pela degradação moral e pelo confronto com o lado mais sombrio da natureza humana. DaCosta imprime personalidade própria ao longa, equilibrando atmosfera, tensão e controle narrativo mesmo nos momentos mais extremos.

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Maura Bird, Alfie Williams, Ghazi Al Ruffai, Jack O’Connell, e Erin Kellyman em ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’ (2026)

O roteiro de Alex Garland gira em torno de três eixos centrais: o enigmático Dr. Ian Kelson, vivido com maestria por Ralph Fiennes; Spike, sobrevivente direto dos acontecimentos do filme anterior; e a seita liderada pelo carismático e perturbador Jimmy Crystal. A relação entre esses personagens conduz a trama por caminhos cada vez mais inquietantes, em que fé, poder e violência se misturam de forma indissociável. A seita surge como um microcosmo do fanatismo religioso, explorando como discursos de salvação podem justificar atos de extrema brutalidade.

Extermínio: O Templo dos Ossos não poupa o espectador da violência gráfica. O terror gore é assumido sem concessões, com imagens sanguinolentas que reforçam o desconforto e a sensação de colapso moral. Nesse cenário, a atuação de Fiennes se impõe ao reprisar Kelson como uma figura fascinante e aterradora, ampliando as ambiguidades éticas do personagem.

+++ Leia a crítica de ‘Man’, Horror Corporal de Alex Garland

Ao utilizar o horror para discutir a banalização da violência e os perigos do extremismo, Garland atualiza a franquia e a conecta diretamente a questões contemporâneas. A nova sequência ainda introduz elementos narrativos que expandem o universo da saga e apontam caminhos promissores para o desfecho da trilogia, prometido para o próximo ano.

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