Em ‘Still in a Dream’, Simon Reynolds analisa o Shoegaze, o Slacker Rock e o Grunge


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‘Still in a Dream’ avalia o período entre 1984 e 1994 e analisa como Shoegaze, Slacker Rock e Grunge redefiniram a linguagem do Rock Alternativo

Há pouco mais de 20 anos o escritor e jornalista musical Simon Reynolds lançou Rip It Up and Start Again: Post-Punk 1978-1984, livro ainda inédito no Brasil e que se tornou uma espécie de “opus maximum” para quem deseja se aprofundar no Pós-Punk. Numa espécie de “continuidade” do livro de 2005, acaba de ser anunciado para 2026 Still in a Dream: Shoegaze, Slackers and the Reinvention of Rock, 1984–1994. O novo livro revisita uma das décadas mais transformadoras da música alternativa e se propõe a mapear o período em que o Rock se afastou da urgência Pós-Punk para mergulhar em texturas, barulho e introspecção.

Reynolds investiga como gêneros como Shoegaze, Dreampop, Noisepop, Slacker Rock e Grunge, surgidos no reino Unido e nos Estados Unidos, ajudaram a redefinir o papel da guitarra e da atitude no Rock. Mais do que um recorte estilístico, o livro trata esse momento como uma reinvenção cultural, marcada pela rejeição ao virtuosismo clássico e pela busca por atmosferas, volume e ambiguidade emocional.

A narrativa combina pesquisa histórica rigorosa com a experiência pessoal do autor, que acompanhou de perto o surgimento dessas cenas enquanto jornalista musical nos anos 1980 e 1990, na revista Melody Maker. Bandas como My Bloody Valentine, Sonic Youth, Slowdive, Cocteau Twins, Dinosaur Jr. e Pavement aparecem como peças centrais de um movimento que nasceu no underground e, em muitos casos, acabou influenciando o mainstream.

Reynolds também contextualiza esses gêneros ou cenas dentro de um cenário político e social específico, marcado por conservadorismo, desencanto geracional e uma cena alternativa que funcionava como refúgio e resistência. O livro destaca como essas bandas transformaram limitações técnicas, timidez e alienação em linguagem estética, ajudando a moldar o DNA do Indie e do Rock Alternativo das décadas seguintes.

Em entrevista ao site The Quietus, Reynolds apontou a diferença entre as cenas de seus dois livros:

“Rock underground do final dos anos 80 é realmente o oposto do Pós Punk – é atordoante, sobrecarregado, drogado. Uma segunda psicodelia. É muito menos obcecado com o modernismo, mais em diálogo com a história do Rock – especificamente os anos 60”

A capa do livro foi desenvolvida pelo designer interno da White Rabbit Books, Henri Holz, e remete ao estilo da época, principalmente no uso da paleta de cores e no uso da imagem borrada, bem evidente em Loveless, do My Bloody Valentine.

Sobre a arte da capa, o designer comentou para o The Quietus:

“Steve Marking (o diretor de arte do projeto) e eu tínhamos uma visão para o que a capa do livro deveria alcançar: refletir a estética das capas dos álbuns do gênero e do período, visualizando essa nebulosidade sonhadora e distorção da mesma forma. Não queríamos fazer uma capa que fosse fingindo-se ser da época, mas homenageando-a… Encontramos esta incrível fotografia de Kevin Shields, do My Bloody Valentine, no Roxy em 1992”.

Previsto para chegar ao mercado internacional em junho de 2026, Still in a Dream já é apontado como leitura essencial para quem se interessa pela história da música alternativa e seus desdobramentos.

DETALHE: ‘Still in a Dream” é o título de um boxset da Cherry Red Records contendo cinco CD’s e um apanhado de bandas Shoegaze, bandas que influenciaram o Shoegaze e bandas com influências do Shoegaze. O título é Various Artists: Still in a Dream: A Story of Shoegaze 1988-1995.

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