O caminho para o éter passa por ‘It Will Burn’, de Kate de Rosset


kate-de-rosset-destaque-resenha-it-will-burn

it-will-burn-kate-de-rosset

FICHA TÉCNICA E MAIS INFORMAÇÕES:

ANO: 2026
GRAVADORA: La Double Vie
FAIXAS: 08
DURAÇÃO: 41:00 min
PRODUTOR: Kate de Rosset
DESTAQUES: “Ignite”, “Cool Blue Flame” e “In The New”
PARA FÃS DE: Dreampop, Ambient-Music

 

 

O ano de 2026 certamente terá vários álbuns repletos de atmosferas encantadoras e ambientações oníricas envolventes, mas nenhum conseguirá superar It WIll Burn (La Double Vie), trabalho de Kate de Rosset lançado já nos primeiros dias do ano. Quinto álbum da artista, It Will Burn traz canções lentas para quem não tem pressa e que deseja mais que ouvir um álbum com atenção, mas busca música como conexão para o éter, suspensão do tempo.

Num percurso de oito canções, Kate nos apresenta vozes celestiais que reverberam como se tivessem sido gravados numa ampla igreja do século XV, com fantasmas rondando pelo aposento. Você pode ser transportado para esse ambiente tanto de olhos abertos quanto de olhos fechados, na claridade do dia ou no silencio e escuridão da noite.

A instrumentação é intimista e suave, conduzida por batidas eletrônicas sutis e preenchida por camadas de sintetizadores ou arpejos etéreos de guitarras. Os vocais adentram os arranjos como sussurros delicados que ecoam, e ao atingirem o córtex cerebral geram ondas de conforto e tranquilidade, sensações que nos remetem ao que se convencionou chamar de Dreampop, seja aquele produzido nos anos 80 pelas bandas do selo 4AD, seja o de nomes mais recentes como Beach House – e mais elementos da Ambient Music de artistas como Brian Eno.

E Pop dos Sonhos é definitivamente o termo mais apropriado para It WIll Burn, um álbum produzido de forma caseira, sem pressa ou pressões. Utilizando os vários espaços da casa, Kate busca se conectar com seus próprios sentimentos através da música, cavando fundo nas lembranças, revolvendo-se em nostalgia e romantismo desde a abertura com convite ao envolvimento de “Ignite”.

+++ Leia a crítica de ‘Head Over Heels’, do Cocteau Twins

Dentro do universo de reverberações de Kate, chegado ao final, a sensação de homogeneidade que permeia e liga cada uma das faixas é inevitável no final, dada a semelhança de elementos e andamentos usados na construção das canções. Destaques para “In The New” e suas guitarras etéreas e sons de sino, descendente direta de Cocteau Twins, e “Cool Blue Flame”, guiada por sons de órgão.

Previous 'Extermínio: O Templo dos Ossos' e o horror como espelho da ruína humana
This is the most recent story.

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *