MERCURY REV – Bobbie Gentry’s the Delta Sweete Revisited (2019)


“Uma banda experiente, cantoras convidadas de talento, porém ‘Bobbie Gentry’s the Delta Sweete Revisited’ é um álbum mediano e que merecia mais’.

Mercury Rev é aquela banda que foi se transformando com o tempo, adquirindo mais experiência, criando suas músicas com orquestrações e deixando como herança trabalhos como “Deserter’s Songs” (1998) e “All Is Dream” (2001). São álbuns obrigatórios e dignos de cabeceira de qualquer ouvinte. Por outro lado, Bobbie Gentry foi uma notável cantora de country no final dos anos 60’s. Ela é bastante conhecida por ser a primeira mulher da country music a compor, produzir e publicar seu próprio material. “The Delta Sweete (1968)” veio logo após o debute, “Ode To Billie Joe” (1967), ambos de extrema importância e que por muito tempo ficaram nas paradas musicais.

Ao revisitar “The Delta Sweete”, o Mercury Rev tem uma proposta rica e interessante. Disco que serviu de muita inspiração para o grupo em parte de sua discografia. “Bobbie Gentry’s the Delta Sweete Revisited” é um tributo dos americanos não apenas a essa cantora como pode ter intenção de mostrar para as gerações mais novas artistas do passado que nunca perdem o status de atemporais. Para esse trabalho, a banda entra com os arranjos típicos de sua discografia, porém para fazer jus a imponente figura feminina que foi Gentry, convidou 12 cantoras distintas para os vocais. O convite veio para artistas não só do meio folk/country como Marissa Nadler e Margo Price, como também para cantoras que ficaram conhecidas por outros gêneros, e dessa forma temos a presença de Rachel Goswell (Slowdive) e Laetitia Sadier (Stereolab).

Todas as convidadas do álbum tem méritos e talento de sobra, porém algumas canções acabam deslocadas, outras recebem mais destaque e ganham melhores camadas instrumentais, o que torna essa produção um tanto mediana e disforme, com algumas faixas se sobressaindo entre outras.

“Reunion” acaba saindo do contexto do álbum e perde um pouco o clima pastoril, querendo soar mais pop. O instrumental é apagado, apesar da grande voz de Rachel. Desnecessário também é ter vocais masculinos aqui, pois foge da proposta de ter apenas vocais femininos no álbum. “Courtyard” poderia ter mais poder instrumental, a voz grandiosa de Beth Orton acaba perdida na canção, merecia mais.

Pensando nas faixas interessantes, é em “Penduli Pendulum” que a banda mostra realmente sua força no instrumental e preenche a canção com detalhes que vão de harmônicas a pianos, adicionando as vozes de Kaela e da inglesa Vashti Bunyan, que, por sinal, andava um pouco sumida. “Sermon” traz Margo Price e faz uma fusão entre o country e o blues com um final que se abre mais para uma sonoridade etérea. Outra coisa que muda aqui é não ter “Louisiana Man” do álbum original, e no lugar entrar a clássica “Ode To Billie Joe”, do primeiro disco de Bobbie e uma das canções mais famosas dela. Lucinda Williams é quem canta nessa versão. Em “Refractions”, Marissa Nadler está no território seguro do folk/country no qual já é bem acostumada.

“Bobbie Gentry’s the Delta Sweete Revisited” não é um trabalho perfeito do Mercury Rev, mas não tira os méritos na discografia do grupo. Longe disso. A fórmula é bacana, a ideia de concepção foi ousada, a lista de cantoras é bem diversificada, a homenageada (Bobbie Gentry) foi uma grande artista. Faltou aquela lapidação em algumas faixas, um pouco mais de orquestração em outras que não receberam tanto destaque como deveriam (e que banda mostrou fazer tão bem em “Deserter’s Songs”). Vindo da experiência do Mercury Rev, quem sabe um álbum no futuro tendo esse como base possa surgir? Também é importante ressaltar a hipótese de outras bandas pensarem da mesma forma, porque o passado legou muitos álbuns clássicos que valem sempre uma releitura.

:: NOTA: 6,2
__________________________
NOTA DOS REDATORES:
Eduardo Juliano:
Isaac Lima:
Luciano Ferreira:

MÉDIA: 6,2
__________________________

:: LEIA TAMBÉM DE EDUARDO SALVALAIO: BOB MOULD – SUNSHINE ROCK (2019)

:::

:: FAIXAS:
01. Okolona River Bottom Band (feat. Norah Jones)
02. Big Boss Man (feat. Hope Sandoval)
03. Reunion (feat. Rachel Goswell)
04. Parchman Farm (feat. Carice van Houten)
05. Mornin’ Glory (feat. Laetitia Sadier)
06. Sermon (feat. Margo Price)
07. Tobacco Road (feat. Susanne Sundfor)
08. Penduli Pendulum (feat. Vashti Bunyan and Kaela)
09. Jesseye’ Lizabeth (feat. Phoebe Bridgers)
10. Refractions (feat. Marissa Nadler)
11. Courtyard (feat. Beth Orton)
12. Ode to Billie Joe (feat. Lucinda Williams)

:::

:: Mais Informações: Bandcamp, | Site oficial

:: Ouça abaixo o audio de “Sermon”:

Anteriores WHIPPING BOY :: Quando Éramos Jovens
Próximo 10 PERGUNTAS PARA MANNEQUIN TREES

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado.