Das origens do termo à confusão atual do que caracteriza uma banda Pós-Punk
A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM
O que caracteriza uma banda Pós-Punk? A época e o lugar em que surgiu? Sua sonoridade? Os temas tratados nas letras? A maneira como são construídos os arranjos? Suas influências?
Numa época em que proliferam de forma absurda as TAG’s Pós-Punk (Shoegaze e Dreampop também) para definir cada nova banda recente surgida no Reino Unido, nos Estados Unidos, Brasil ou qualquer outra parte do mundo, tentar entender o significado do termo Pós-Punk enquanto gênero musical é necessário.
Ainda que o mesmo remonte há mais de 40 anos, seu ressurgimento do gênero com grande intensidade nos anos 2000, e sob uma nova onda nos últimos três anos, mantém o interesse em alta ao “trazer à tona” nomes hoje badalados: Siouxsie and the Banshees, Joy Division, Gang of Four, The Cure, Echo and The Bunnymen; ou não tanto: The Birthday Party, The Pop Group, The Sounds, só para citar alguns.
Chega a ser irônico, por exemplo, que Mark Smith, com seu jeito falado de cantar (também conhecido como spoken word), e seu The Fall, a “bola da vez”. Todos ou alguns dos citados geralmente lembrados em resenhas de bandas mais novas, de Interpol a Editors, de Shame a Fontaines D.C., passando por Shopping, Dry Cleaning, Squid, Black Country, New Road e outros que mal lançaram álbum como Yard Act, Folly Group, Courting, Do Nothing, The Lounge Society, Famous, etc.
TENTANDO ENTENDER O PÓS-PUNK
O termo Pós-Punk (do inglês Post-Punk), cunhado lá no final da década de 70 pela mídia britânica, na acepção da palavra poderia designar todas as bandas que surgiram (e álbuns lançados) após o que se denominou o “fim do Punk”, com a dissolução dos Sex Pistols, em janeiro de 1978 após a saída de John Lydon.
Querer entender o Pós-Punk por esse prisma, parece um tanto equivocado. Equívoco esse que foi cometido inúmeras vezes lá atrás e continua sendo usado até hoje, ao designarem essa ou aquela banda como Pós-Punk, seja por desconhecimento, preguiça ou conveniência, já que estar associado a um termo facilita a, desculpem a expressão, “venda do produto”, tanto pela indústria fonográfica, pela imprensa ou até pela própria banda.
Por essa ótica (de tudo que veio depois do Punk), Pós-Punk passa a ser caracterizado a partir de aspectos não musicais, nem de época e lugar, logo tão abrangente que se tornará algo indefinível.
Por outro lado, se o entendimento do Pós-Punk enquanto gênero musical com características intrinsecamente musicais, a despeito de época e lugar, o escopo começa a se tornar mais restrito. E aí, o próprio Punk entra como elemento definidor (em termos de atitude) do Pós-Punk, uma vez que é a partir principalmente do impulso inicial ou do lema Punk, o “Faça Você Mesmo” (Do It Yourself), que o Pós-Punk surge.
Em sentido oposto, musicalmente, o Pós-Punk se afasta quase por completo das bases sobre as quais assentadas a música Punk. E aí é preciso entender que a cena musical da década de 70 não era um universo de “dinossauros e bandas progressivas”. Havia vários grupos flertando com outras sonoridades. O próprio New York Dolls, que plantou na cabeça de Malcom McLaren a semente para criar o Sex Pistols já vinha fazendo algo diferente; os Stranglers e o Cabaret Voltaire; o Wire, que surgiu na efervescência Punk mas fugia do paradigma; O Magazine de Howard Devoto; são alguns exemplos de que a cena musical dá época não era terra arrasada.
Muitos acreditam que o Punk foi uma ruptura que o Pós-Punk retomou. Nesse embalo, sendo um movimento musical mais abrangente, foi resgatar o Funk, o Dub, o Krautrock, e adicionar experimentações de artistas vanguardistas como Brian Eno, David Bowie e The Velvet Underground.
As primeiras bandas Pós-Punk’s pegaram o “Do It Yourself” e rasgaram a fórmula básica dos famigerados três. A resposta foi que uma canção pode até ter apenas um acorde, dois, três, ou até mais. A forma continuou sendo o de menos, importante o resultado, a originalidade, o soar diferente.
JOHN LYDON E O PUBLIC IMAGE LTD.
O Public Image Ltd., e não só eles, pode ser considerado uma das primeiras bandas Pós-Punk por dois motivos: 1 – Não passaram pela fase Punk como a maioria das outras bandas; 2 – Mais importante que o motivo anterior, First Issue, seu álbum de estreia, lançado em dezembro de 1978, pouco menos de um ano após o fim dos Pistols, musicalmente carrega muitos dos elementos que viriam a se tornar marca registrada na sonoridade de 8 entre 10 bandas classificadas como Pós-Punk, seja no final dos anos 70, seja posteriormente – e até na atualidade.
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Idealizado por John Lydon (voclista dos Sex Pistols) após sua saída conturbada do grupo, o PIL tinha ainda em sua formação inicial o guitarrista Keith Levene (um dos fundadores do The Clash), o baixista Jah Wobble e o baterista Jim Walker. Sua sonoridade consistia de arranjos simples, diretos e repetitivos, linhas de baixo marcantes e graves (de responsabilidade do econômico Jah Wobble), riffs rascantes de guitarra reverberantes em um segundo plano (cortesia do sempre imitado e saudoso Keith Levene), e influências para além do próprio Rock – especificamente do Dub e do Reggae e, mais adiante, Krautrock e experimentalismos.
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