O FILME DA MINHA VIDA | 2017


Cena de O Filme da Minha Vida

“Selton Mello entrega filme bonito, inspirador e suave sobre as dificuldades e confusões de crescer”

O Filme da Minha Vida é um longa-metragem brasileiro de 2017, baseado na literatura poética do livro “Um Pai de Cinema” (2011), do escritor chileno Antonio Skármeta e dirigido pelo ator e diretor Selton Mello.

A trama nos transporta para Serra Gaúcha, no ano de 1963, e acompanha o jovem professor de francês Tony (Johnny Massaro) que retorna para Remanso, sua cidade natal, e descobre que seu pai (Vicent Cassel) retornou para França sem dar explicações. Além de sofrer com ausência do pai, Tony enfrenta a rebeldia de alunos na escola. O jovem se vê sem chão e perdido tentando compreender os motivos do pai sumir assim sem maiores esclarecimentos. Ele encontra na paixão pelo cinema e poesia um refúgio para lidar com questões confusas do processo de amadurecimento que fazem aflorar os primeiros sintomas do amor, e busca seguir seu caminho enfrentando suas incertezas e dúvidas. Quando um segredo sobre o sumiço de seu pai vem à tona, a vida de Tony é posta de cabeça para baixo.

Transportar uma obra literária poética para o cinema é uma tarefa um tanto árdua e difícil, justamente por se tratar de lirismo e poesia. Mas o que não falta no filme de Selton Mello é beleza e poesia. A fotografia de Walter Carvalho consegue exaltar os cenários de paisagens campestres da Serra Gaúcha com uma total elegância, que acaba se tornando poesia com um frescor lírico pelas estradas de chão cercadas por campos e riachos.

Cena de O Filme da Minha Vida

A imaginação cinematográfica de Selton Mello é bela e ao mesmo tempo peculiar. Assistir sua ficção é sempre um prazer. Deixa algo meio biográfico no ar. De forma simplista, ele cria de forma enternecedora uma elegia à solidão e tristeza.

Juntando pequenos fragmentos em variáveis consoantes; seja em mudanças de olhares que se perdem no silencio ingênuo de um garoto imaturo, para retratar a dificuldade de Tony em prosseguir com sua vida sem auxílio da figura paterna. Ai que entra em suma importância a presença de Paco (Selton Mello), um amigo da família o qual Tony idealiza em sua mente a imagem mais próxima de um pai, como um amparo para acalentar o distanciamento inexplicável daquele que costumava dar voltas de moto com ele quando criança.

O longa vai deixando algumas lacunas abertas, sem explicações e aprofundamentos, tais como a relação de Tony com sua mãe, que poderia ser muito melhor aproveitada. Ao invés disso, a figura materna mais representa uma mulher calada, presa em sua rotina de afazeres domésticos. As poucas cenas entre os dois são marcadas por enormes silêncios e olhares.

Johnny Massaro em boa parte do longa entrega uma boa atuação, que em alguns momentos se perde no vazio, talvez pelo pouco envolvimento dos coadjuvantes na trama. O envolvimento com Luna (Bruna Linzmeyer) é vago, sem aprofundamentos. O protagonista fica preso em cima do muro, já que também nutre um sentimento pela irmã mais velha de Luna, Petra (Bia Arantes). Mas talvez essa seja a proposta: elencar as incertezas em relação ao descobrimento das primeiras paixões, e o despertar do desejo na passagem da adolescência para a vida adulta. Contudo, o filme poderia aprofundar um pouco mais em seus objetivos para amarrar melhor certas passagens e ideias.

Partindo do princípio que o filme foca sua grande parte no personagem principal,  fotografia e trilha sonora aqui desempenham um papel fundamental para ajudar a entender e filtrar suas emoções, desejos e anseios que são diluídos no sentimento de perda do pai.

Por falar em trilha sonora, ela é um dos pontos fortes do filme, o que ajuda a desenvolver a trama e densidade do drama. Canções como “Coração de Papel” (Sergio Reis) e “The House of the Rising Sun” (The Animals) ajudam a captar a atmosfera do longa-metragem.

Cena de O Filme da Minha Vida

A reprodução de época também é algo belo.  O longa conseguiu reproduzir com maestria as ambientações da Serra Gaúcha, e das cidades pequenas no início dos anos 60, onde custava chegar inovações e modernidade. Vale ressaltar que foi filmado nos meses de abril e maio de 2015, na Serra Gaúcha, nas cidades de Cotiporã, Veranópolis, Bento Gonçalves, Garibalde, Farroupilha, Monte Belo do Sul e Santa Tereza.

Em entrevista no pré-lançamento, Selton Mello disse que “Ficou surpreso pelo convite para gravar o filme ter surgido do próprio escritor Skármeta em uma visita ao Brasil”. Skármeta se diz apaixonado pelas belezas do país e queria muito ser representado no país. E foi depois de assistir ao filme “O Palhaço” (2011) que resolveu procurar Mello para adaptar a obra literária para o cinema.

O Filme da Minha Vida é uma história lúdica, sensível, poética e lírica, que vai te fazer pensar e refletir sobre a vida e o seus laços e cordões umbilicais que unem a família. Além de ser uma grande homenagem ao cinema.  Selton Mello entrega um filme bonito, inspirador e suave sobre as dificuldades e confusões de crescer, amar e lidar com sentimento de perda e saudade.

NOTA: 7.4


NOTA DOS REDATORES:
EDUARDO JULIANO: –
EDUARDO SALVALAIO: –
ISAAC LIMA: –
LUCIANO FERREIRA: –
MÉDIA: 7.4


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Cartaz do filme O Filme da Minha Vida

:: FICHA TÉCNICA::

Gênero: Drama
Duração: 1h53min
Direção: Selton Mello
Roteiro: Marcelo Vindicato, Selton Mello, baseado no romance de Antonio Skármeta
Elenco: Vincent Cassel, Selton Mello, Erika Januza, Bruna Linzmeyer, Antonio Skármeta, Rolando Boldrin e outros
Data de Lançamento: 03 de agosto de 2017
País de origem: Brasil
Censura: 14 anos
Avaliações/Informações: IMDB | ROTTEN TOMATOES

 

 


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