THOM YORKE – Anima (XL Recordings, 2019)



“Anima é um lugar de paz para Thom Yorke apaziguar sua inquitude musical”

Nesse momento de 2019 não é mais necessário falar sobre o Radiohead. A história da banda já é por demais conhecida. Não só uma das mais queridas da atualidade, bem como uma das que conseguem captar a vibração das redes sociais, dos meios de comunicação e da tecnologia. No meio de tantas firulas desnecessárias do mundo virtual como fotos de pessoas acidentadas e de fake news, o Radiohead revirou o mundo virtual e fez da internet um lugar de maior aproximação entre público e banda fazendo disso uma alavanca sábia para criar novas formas de transmitir ou mesmo de vender a música, ou então, para criar suspense em cada lançamento que estava por sair.

Sim, mas estamos falando de Thom Yorke. Radiohead é um quinteto que se manteve firme e cujos integrantes possuem suas qualidades que, reunidas, fizeram a banda ter o conceito e o status que hoje carrega. Thom Yorke é o vocalista que entendeu sua banda. Inquieto, atualizado com o mundo atual, disposto a várias culturas, aberto na compreensão de que artes precisam se misturar, tanto que esse seu novo trabalho chega com um vídeo na Netflix produzido por Paul Thomas Anderson.

Não podemos esquecer também da personalidade forte do músico (do tipo ame ou odeie) e por ser um cara sem papas na língua e de uma consciência política que poderia servir de exemplo (da última vez criticou os políticos de direita). Características à parte, a inquietude de Thom é abusada na música e extrapola. Além de ter colaborado com inúmeros artistas/grupos, não ter preconceito nenhum com gêneros musicais, chega agora ao terceiro disco álbum solo.

Explorando a ampla musicalidade do seu grupo, fugindo de um gênero pré-rotulado e oferecendo convivência harmoniosa entre elementos acústicos e eletrônicos, ANIMA é o músico sempre experimentando e amadurecendo suas ideias.

Dois fatos precisam ser ressaltados aqui. Primeiro é que Yorke criou esse trabalho sem a ajuda de sua banda, então, existe todo aquele pensamento de que ANIMA não é um produto do Radiohead em específico. Segundo é que a produção ficou a cargo de Nigel Godrich. O produtor tem toda uma história com o líder e sua banda, hoje em dia difícil não pensar nele quando se fala no salto musical que o grupo alcançou. Na ‘esquisitice’ do cantor, Nigel tem experiência e hoje é totalmente apto para entender esse processo.

Existe um pouco de Kid A (2000), de The King Of Limbs (2011), não tem como negar. Os traços da banda ficam e foi Thom que colaborou. Nenhum álbum solo de vocalistas até hoje conseguiu tirar a cabeça do ouvinte de sua banda (foi assim com Morrissey e Ian McCulloch, não?). Por quê então com Thom Yorke seria diferente? Em sua espécie de desconstruir a música no melhor dos sentidos, ele consegue deixar “Traffic” com aquela sonoridade tremida digna de candidata a hit.

A passagem do cantor em territórios de trilhas sonoras (Suspiria, 2018) acaba refletindo aqui na paisagem sonora cinematográficas de “Dawn Chorus”. O seu aprofundamento com a história da música eletrônica faz até pensar em homenagens a pioneiros do gênero como Kraftwerk (“Twist”). O interesse de multiplicar as camadas de suas canções com incursões de efeitos e elementos sinfônicos não poderia faltar (“Not The News”). O cantor também lembra que não apenas sua voz merece destaque e deixa os arranjos de “Impossible Knots’ num mesmo plano de importância com um baixo atraente.

Esse é Thom Yorke. Seu terceiro trabalho solo é mais um passo do músico que, como tudo que ele faz, pode render polêmica ou pode colocá-lo ainda mais no centro das atenções. Cenas típicas de um mundo virtual de aceitação e ódio. O músico não para e diz que vem muita coisa pela frente, tanto de sua banda como por parte dele.

NOTA: 7,8


NOTA DOS REDATORES:
Eduardo Juliano:
Isaac Lima:
Luciano Ferreira:

MÉDIA: 7,8


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:: FAIXAS:
01. Traffic
02. Last I Heard (He Was Circling The Drain)
03. Twist
04. Dawn Chorus
05. I Am a Very Rude Person
06. Not The News
07. The Axe
08. Impossible Knots
09. Runwayaway

 

 


:: Mais Informações: Twitter/Wikipedia


:: Ouça “Not The News”:

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