THE TWILIGHT SAD – It Won/t Be Like This All the Time (2019)


foto da banda escocesa the twilight sad em 2018

“Quando a soma de dois mais dois é igual a cinco”

Muito se fala sobre as expectativas pelo primeiro álbum de uma banda, se este tiver sido muito bom, mais expectativas ainda pelo segundo álbum, o que lança uma pressão enorme sobre o grupo, veja o caso dos Stone Roses ou, mais recentemente, do The Strokes. Terceiro e quarto álbuns, em geral, já não criam tanto burburinho, a não ser que haja um “fato novo” circundando o mesmo ou o tamanho da banda, Radiohead e seu “Kid A” serve de exemplo, ou U2 com “Unforgettable Fire”. O que dizer então do quinto álbum, alguma aura em torno dele? Há pouco tempo os Wild Beasts (uma das bandas preferidas da casa), contemporâneos do TTS, chegaram ao fim após o quinto álbum de estúdio.

No caso dos escoceses do The Twilight Sad, há uma série de informações interessantes envolvendo seu quinto álbum: a preocupação com o futuro, devido a recepção não muito boa do álbum anterior; saída do baterista e um dos fundadores da banda (o baixista original já havia saído em 2010); mudança de gravadora (da Fat Cat Records para a Rock Action); alargamento das fronteiras da banda por conta do “lobby positivo” feito pelo fã e quase padrinho Robert Smith (The Cure), com quem excursionaram; casamento e nascimento do filho do vocalista James Graham; e a morte do vocalista e amigo de longa data Scott Hutchison, da banda Frightened Rabbit.

São informações quase todas conhecidas. Boa parte delas ocorridas em 2018. Acontece que desde outubro de 2014 que o The Twilight Sad não lançava um novo álbum, muito mais água passou por baixo da ponte e certamente não foram apenas shows, gravações, entrevistas e os ocorridos citados no parágrafo anterior. Uma biografia futura poderá um dia, quem sabe, desvendar outros acontecimentos de bastidores envolvendo a banda durante as gravações do seu quinto álbum.

“It Won/t Be Like This All the Time” carrega, não o centro, mas no entorno, essa gama de acontecimentos, verdadeira montanha russa de situações que poderia jogar por terra planos futuros de muitas bandas.

Também explica bastante o motivo da demora para que a banda voltasse a apresentar um novo trabalho. Ressalte-se também que esse é o primeiro álbum apenas com o duo original que restou do antes quarteto, o guitarrista Andy MacFarlane e o vocalista James Graham, acompanhados de músicos que foram agregados.

Uma olhada mais apurada no título gera a suspeita de que querem nos dizer algo. “Não Vai Ser Assim o Tempo Todo” é a ideia de mudança de um estado a outro.

Bom perceber que, apesar de tudo, o novo álbum musicalmente é o mais rico e melhor resolvido pós “Forget the Night Ahead” (2009). “No One Can Ever Know” (2012) marcou a mudança do foco das canções de paredes de guitarras para uso mais evidente dos sintetizadores e teclados, elemento presente desde o início, mas de forma discreta, quase como uma segunda guitarra. Prosseguindo no sucessor “Nobody Wants to Be Here And Nobody Wants to Leave (2014). Sim, as guitarras continuam por aqui. Se ela é o foco nos dois primeiros álbuns e menos evidentes nos dois últimos, aqui essas duas vertentes encontram o perfeito balanceamento, sem o eclipsamento de nenhum desses atores, mas abrindo espaço inclusive para um terceiro, o contrabaixo. O retorno de MacFarlane como único produtor do disco é a mão que paira sobre o resultado final das canções.

Em “It Won/t Be Like This All the Time” tudo aquilo que passou a constituir o universo do The Twilight Sad se faz presente: a arte da capa misteriosa, o título bem bolado das canções, e claro, os vocais inconfundíveis e intensos de Graham com seu sotaque tão acentuado, às vezes incompreensível.

No quesito letras, o vocalista cumpre o que havia prometido, embora não de todo. Suas letras estão mais diretas e menos metafóricas mas ainda impenetráveis, e ainda discorrendo sobre temas comuns ao seu cotidiano: dor, perda, desilusão, deslocamento.

Se se faz necessário falar sobre as canções, “The Arbor” soa como uma homenagem aos seus conterrâneos do Cocteau Twins (circa “Garlands”) ou Lowlife, com uma linha de baixo densa e dedilhados de guitarras etéreos e melodiosos a la Robin Guthrie, além de uma bateria repleta de eco emulando uma drum machine oitentista; “VTr” (baixo pulsante e marcante), “I’m Not Here Missing Face” e “Videograms” soam como resultado melhor acabado das sonoridades que a banda vinha trabalhando desde “No One Can Ever Know”; “Keep It All To Myself” tem uma linha de baixo poderosa conduzindo o arranjo ao melhor estilo pós-punk.

Se tomarmos o TTS como parâmetro para alguma mística no que diz respeito ao quinto disco, seria de contornar as dificuldades e conseguir equalizar as vertentes musicais que pareciam se debater, fazendo-as conviveram confortavelmente.

:: NOTA: 9,0
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NOTA DOS REDATORES:
Eduardo Salvalaio: –
Eduardo Juliano: 8,0
Isaac Lima: 9,0

MÉDIA: 8,7
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:: LEIA DE LUCIANO: MUDHONEY – Digital Garbage (2019)

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capa álbum  It Wont Be Like This

:: FAIXAS:

01.[10 Good Reasons for Modern Drugs]
02. Shooting Dennis Hopper Shooting
03. The Arbor
04. VTr
05. Sunday Day13
06. I/m Not Here [Missing Face]
07. Auge/Maschine
08. Keep It All to Myself
09. Girl Chewing Gum
10. Let/s Get Lost
11. Videograms

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:: Assista abaixo ao videoclipe de “VTr”:

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2 COMENTÁRIOS

  1. Avatar
    Ângelo Fernandes
    25/01/2019

    Mais uma boa resenha deste que desde já (início de ano) é provavelmente um dos melhores álbuns de 2019.

  2. Avatar
    30/01/2019

    Até o momento, o melhor lançado em 2019. Provavelmente será esquecido por muitos até o final do ano. Valeu pelo comentário.

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