Entrevista com Terraplana


Terraplana é um quarteto de Curitiba (PR), formado por Vinícius Lourenço (Vocal, guitarra, sintetizador), Stephani Heuczuk (Vocal, baixo), Matheus Teles (Vocal, guitarra) e Wendeu Silverio (Bateria). Com uma história que surgiu da união de dois duos e do contato através da internet, a banda tem pouco menos de um ano e no finalzinho de 2017 já lançou o EP “Exílio”, gravado, mixado e masterizado pelo próprio Vinícius, em seu próprio quarto. São seis faixas que transitam entre as guitarras em camadas do shoegaze e post-rock e algum momento mais ambient. Para desvendar as origens desse universo musical, mandamos algumas perguntas para a banda, que foram respondidas por Vinícius, e vocês acompanham abaixo.

Poderiam nos falar um pouco sobre o surgimento da banda, como chegaram ao nome Terraplana e quais as motivações para se criar uma banda com essa sonoridade?
Vinícius: A gente começou como dois duos, eu e a Stephani fazíamos algumas composições mais pro lado do shoegaze enquanto o Teles e o Wendeu faziam algo mais post-rock, e a banda surgiu quando conheci o Teles pela internet… a gente marcou de todo mundo se encontrar e mostrar nossas ideias pro projeto. Isso foi no final de maio de 2017. O nome foi bem difícil, na verdade, e só surgiu depois de ter todo o EP gravado, e a gente pensou em outros nomes bem piores no processo. No fim, escolhemos terraplana por ser bem fácil de lembrar, além de ter uma prosódia interessante. E a gente não é terraplanista, não… Já a motivação, acho que partiu mais da vontade de compor, além da experiência do ao vivo que é uma das coisas que mais gosto em relação a qualquer tipo de musica.

Como foi o processo de gravação do EP “Exílio”? Por que “Exílio”? E se há um conceito no disco?
Vinícius: Foi o mais caseiro possível, gravamos tudo no meu quarto. Foi um processo um tanto quanto demorado, acho que começamos a gravar em setembro e o EP só ficou pronto, mixado e masterizado, em dezembro. É Exílio porque todas as canções tratam, de certa forma, sobre estar sozinho e sobre experiências que achamos não ter como resolver senão somente com nós mesmos.

“Exílio” foi todo feito de forma caseira, esse processo facilitou pra vocês? E para lançamentos futuros pretendem seguir esse caminho?

Vinícius: Nunca experimentamos fazer coisas que não de forma caseira e não tivemos tanta pressa em finalizar as coisas, então foi bem tranquilo pra nós, além de ter sido um enorme aprendizado pra todo mundo. Acho que no próximo material devemos gravar em algum estúdio profissional, mas penso em ainda mixar pra ter mais controle sobre a sonoridade.

“Lamento”é uma de nossas faixas preferidas do álbum, ela traz uma sensação de beleza e melancolia que se misturam e induzem a uma espécie de viagem interior. O que poderiam falar a respeito da canção? Há no EP alguma canção predileta?
Vinícius: Bem, eu na verdade não gosto de deixar tão claro do que se tratam as músicas, acho que cada um ter a interpretação diferente é o que faz as coisas serem mais bonitas. Mas… a Lamento, no fundo, fala sobre incerteza em relação à vida, em relação às nossas escolhas, em relação às escolhas das outras pessoas que tem consequência em nós mesmos, sei lá. Cada um tem uma música preferida diferente, na verdade. A Stephani prefere a Lamento, o Teles já gosta mais da Virou Crime, e eu e Wendeu preferimos a “Fall”. Ironicamente, a mais tocada no Spotify é a “Ambedo” – que acho que é a segunda faixa preferida de todo mundo.

Qual o papel do vocal nas canções? A percepção é de que as vozes se apresentam mais como complemento ao instrumental do que um elemento de destaque. Algo comum em bandas que seguem esse caminho sonoro.

Vinícius: A gente tenta pensar o vocal quase como um instrumento a mais, e não como o centro das atenções nas canções. É algo que soma no meio de todo esse barulho, mas que tem um papel fundamental no meio disso tudo, que liga as coisas, que procura (mas nem sempre) dar um significado ao que sentimos ao compor as letras ou as músicas, que, inclusive, geralmente surgem ao mesmo tempo.

Se eu tivesse tempo
se eu tivesse tempo
pra ser eu mesmo
se eu tivesse tempo

Eu queria me livrar
do claustro que é viver
(Trecho de “Ambedo”)

Em relação as letras, elas refletem a ideia de uma busca por “libertação”, de se livrar de amarras. Essa “busca” pela leveza/libertação casa de certa forma com a música de vocês, que passa essa sensação de transe.
Vinícius: É, faz sentido! A gente não pensou muito nisso na hora de compor nem nada, foi bem automático, e como eu falei, na maioria das vezes a letra e a música surgiam no mesmo momento. Por causa disso, acho que é natural esses sentimentos terem sido demonstrados tanto no instrumental quanto na letra, desse jeito que você falou.

De quais artistas vocês se sentem próximos musicalmente?

Vinícius: Do Brasil, acho que Gorduratrans e Máquinas, que inclusive são importantes influências, tanto na sonoridade quanto no modo de fazer. Além disso, tem o Slowdive e o My Bloody Valentine, que são pilares pro som desse EP, e umas bandas de shoegaze mais novas tipo Ringo Deathstarr e Whirr.

Fugindo um pouco da música, literatura, cinema ou outras representações artísticas entram na equação que compõe a música da Terraplana?
Vinícius: Uns filmes que me influenciaram meio que indiretamente foram “Melancholia” e “Mr. Nobody”. Eu sei que o Teles gosta muito de Drive e que provavelmente isso influenciou ele também. Na verdade, tem tanto filme que não da pra começar a citar mais porque ia virar uma lista enorme.

Quem desejar adquirir “Exílio” em formato físico, é possível? Vocês tem mantido contato com selos/gravadoras/distros para divulgação/distribuição do trabalho?
Vinícius: A gente ainda não sabe se vai ter em formato físico, estamos investindo agora em camisetas, que as pessoas vão poder comprar nos shows ou entrando em contato com a gente pela página da banda no Facebook ou pelo Instagram. O que a gente tem feito em contato com outros selos é tentar trazer artistas pra Curitiba e tentar levar o nosso som pra outras cidades e estados.

Como anda o trabalho de divulgação do EP? Vocês inclusive deram entrevista pra uma rádio venezuelana.
Vinícius: A gente tá fazendo tudo meio que sozinhos, tentando alcançar a maioria das pessoas de uma forma bem independente mesmo. Não temos nenhuma experiência com isso, só entramos em contato com alguns sites de música e rádios pra ajudar a divulgar, e alguns sites da América Latina deram bastante ênfase no nosso trabalho.

Vocês parecem um tanto avessos a fotos, preferem que a música fale por si mesma ou faz parte do marketing?

Vinícius: É? Nunca reparamos nisso, acho até que temos bastante fotos em show. Já fora do palco, não temos tantas mesmo, porque nunca tivemos a oportunidade de sermos fotografados e acho que sentiríamos meio desconfortáveis numa situação dessas, pelo menos na primeira vez. Mas quem sabe algum dia aconteça e a gente divulgue umas fotos diferentes.

Como anda a rotina de shows? E apontariam algum que teve uma vibe mais interessante, e o motivo?
Vinícius: A gente só fez dois shows até agora. Devemos ter mais a partir de março. O primeiro foi o mais louco porque nós organizamos o evento, chamamos bandas amigas (Rawph e Céu de Vênus) e foi o primeiro contato com o público, não tínhamos o EP ainda, foi muito bom receber o feedback das pessoas ali na hora. Foi num lugar em que eu já tinha ido a vários shows, e foi muita gente. Mas acho que não da pra não falar do segundo show também, principalmente pelo fato da gente ter tocado com outras bandas de fora e que tem uma vibe um pouco diferente da nossa, e o publico de certa forma também era diferente. Nesse dia, foi com a Winter e Summer Twins, que são lá de Los Angeles, Cora, que é daqui de Curitiba, e La Leuca que é de SC.

Complete a frase: Terraplana não existiria se não houvesse…
Vinícius: Internet.

Planos para o futuro e mensagem para os fãs.
Vinícius: A gente deve tocar mais algumas vezes em Curitiba e devemos ir pro estado de SP em breve também. De material novo… ainda não temos previsão, mas temos músicas novas que estamos tocando ao vivo e que, se tudo der certo, devem aparecer em alguma live session no futuro.
E mensagem para os fãs… mostra a banda pros seus amigos e chama a gente pra tocar aí na sua cidade. É isso.

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:: Ouça abaixo o EP “Exílio” no Spotify:

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