Revelação de troca de e-mails entre CEO da Wasseman Music e Ghislaine Maxwell provoca onda de desligamentos e pressões por mudança de liderança
A publicação dos milhões de arquivos sobre o caso Jeffrey Epstein tende a render novas descobertas a cada dia, provocando novos desdobramentos. Devido a grande quantidade de material disponibilizada, a tendência é que muitos “estragos” sejam feitos nos próximos dias, meses e, quem sabe até, anos.
A mais recente é a descoberta de uma troca de e-mails entre Casey Wasserman, presidente e CEO da agência de talentos Wasserman Music (que representa atletas, músicos e celebridades), e Ghislaine Maxwell, associada de Jeffrey Epstein em muitos de seus crimes.
Entendendo o caso
A troca de mensagens aconteceu em 2003, antes de Ghislaine ser acusada e condenada pelos crimes relacionados ao tráfico de menores. As mensagens contêm linguagem considerada indecorosa ou sugestiva.
Wasserman não foi acusado de nenhum crime relacionado ao esquema de Epstein. Ele afirmou que sua interação com Epstein foi limitada, incluindo uma viagem humanitária de 2002 organizada pelo Clinton Foundation, e negou envolvimento com atividades criminosas.
A Wasserman Music é uma grande empresa de gestão de talentos com sede em Los Angeles, e representa estrelas que vão de Billie Eilish e Kendrick Lamar a Phish, Bon Iver, Turnstile, Kacey Musgraves, Coldplay, Ed Sheeran, Joni Mitchell, Tyler, The Creator, Lorde, e muitos outros.
A divulgação desses documentos desencadeou uma onda de reações públicas de artistas, agentes, e centradas em questões morais e de valores pessoais — principalmente porque muitos sentem que a imagem da liderança da agência agora conflita com seus valores éticos. Muitos artistas sentem que se tornou incompatível continuar sendo representados por uma empresa cujo líder aparece em documentos associados a uma rede criminosa, e por isso estão se desligando da Wasserman Music.
Saída de artistas e profissionais da agência Wasserman
Muitos dos agenciados tem se manifestado contra o CEO da Wasserman Music, pedindo que ele renuncie ou mude a liderança da agência. Enquanto isso, alguns artistas começaram a sair, e a tendência é que esse número se torne cada vez maior a cada dia.
Bethany Cosentino, da banda Best Coast, foi uma das primeiras a se manifestar, e postou um carta aberta em suas redes pedindo a renúncia do fundador.
“Como artista representado por Wasserman, não consenti em ter meu nome ou minha carreira ligada a alguém com esse tipo de associação à exploração”, afirmou. “Ficar quieto não é algo que EU possa fazer em sã consciência — especialmente em um momento em que os homens no poder são tantas vezes protegidos, desculpados ou autorizados a seguir em frente sem consequências. Fingir que isso não é grande coisa não é uma opção para mim”.
A banda irlandesa The Dropkick Murphys anunciou que também estão deixando Wasserman. E comentou a respeito, dizendo: “Isso nos entristece ao nos separarmos [de nossos agentes], mas o homônimo da agência está nos arquivos do Epstein, então … nós partimos”, escreveu a banda no Instagram.
Outras bandas/artistas que deixaram a agência foram Wednesday, Water From Your Eyes e Beach Bunny, Weyes Blood, Orville Peck. Alguns fizeram declarações nas suas redes sociais sobre suas preocupações ou suas intenções de iniciar o processo de deixar a agência.
Mas nem todos os artistas estão numa posição que lhes permite romper com o grupo de Wasserman, Alexis Krauss, da banda Sleigh Bells, fez uma declaração condenando o CEO e detalhando porque não poderiam deixar totalmente a empresa, citando o impacto financeiro que ela causaria.
“Eu gostaria de poder queimar tudo, boicotar e desinvestir? Certeza que sim. Mas, para ser totalmente honesta, não posso me dar ao luxo de fazê-lo”, afirmou. E continuou: “Eu adoraria simplesmente deixar a Wasserman Music? Sim. Nós podemos? Não, porque amo e respeito nosso agente e confio nele para tomar a decisão que é melhor para ele, sua família e seus artistas. Os agentes em Wasserman não são os vilões”.
Pressão política
Além da pressão dos artistas, políticos de Los Angeles estão pedindo que Wasserman abandone o cargo de presidente do comitê dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
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Em comunicado, Wasserman disse que “lamenta profundamente” sua correspondência com Maxwell, “que ocorreu há mais de duas décadas, muito antes de seus crimes horríveis virem à tona”, e acrescenta que nunca teve um relacionamento pessoal ou comercial com Epstein.
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