RUN | 2020


Run, imagem da série

“Dois ex-namorados querendo fugir da monotonia e as consequências e complicações de um passeio atípico num trem”

E se você, dentro de um carro num estacionamento de supermercado, recebesse um convite de seu (sua) ex por WhatsApp para deixar de lado o que está fazendo e seguir em viagem de trem do lado dele(a) naquele dia? Qual seria a sua reação? É o que acontece com Ruby (Merritt Wever) ao se deparar com a mensagem ‘Corra’ vinda de seu ex-namorado dos tempos de escola, Billy (Domhnall Gleeson). Ruby, sem pensar muito, resolve aceitar a proposta e mal sabe ela o que essa mudança de rotina vai ocasionar em sua vida.

Run foi escrita por Vicky Jones que também contou com a colaboração de Phoebe Waller-Bridge (que aparece em 3 episódios da série). Aliás, ambas estão trabalhando juntas há um bom tempo, e o resultado já havia surgido em alguns episódios da série Fleabag. Muito de Run vem da experiência teatral que Jones e Waller-Bridge tiveram. Preocupada mais com diálogos e expressões corporais dos atores, tendo como pano de fundo cenários mais minimalistas, a série que pode ser classificada como uma comédia dramática se baseia muito no humor inglês e também tem suas breves pitadas de humor negro. Mas, a bem da verdade, a aposta de Run fica por conta dos trejeitos, caras e na atuação/relação dos dois personagens principais, Ruby e Billy, sobretudo nas situações que os dois são envolvidos.

Entretanto, o encontro dos ex-namorados não acontece facilmente nos primeiros minutos a bordo do trem. Conflitos, brigas, lembranças que chegam na hora errada, charmes e ciúmes tolos vem a tona. Porém, quando a intimidade e a seriedade retornam, verdades são reveladas e ambos acabam projetando seus verdadeiros sentimentos, vontades, mentiras e culpas. Eles passam a se conhecer melhor e, dessa forma, as reviravoltas chegam com direito a confusões, correrias, pessoas furiosas, acidentes fatais, policiais que discutem sobre seriados e muito dinheiro envolvido.

Os diálogos ágeis, as movimentações pelos corredores do trem e os constantes desentendimentos entre os ex-namorados garantem as piadas, algumas vezes inteligentes, outras vezes forçadas demais.

A maior parte da série se passa a bordo do trem, apesar disso, quando as cenas externas acontecem elas são realçadas por belas locações e com uma iluminação convincente (sobretudo as cenas noturnas). Muitas vezes essas cenas chegam com o propósito de ganharem carga melancólica com os personagens relatando suas frustrações e erros em vida, mostrando menos ingenuidade e mais maturidade por parte deles. Run apresenta uma trilha sonora eficiente e bem distinta, alternando entre a modernidade e o passado da música, destacada sempre nos momentos certos da trama (Dj Shadow, Feist, Steely Dan, Culture Club, The Kills, entre outros).

Apostando na influência da tecnologia e da modernidade, Run também faz refletir sobre o quanto nossa vida é afetada pelas redes sociais e pelos celulares. Cargas de informações, responsabilidades, remorsos, família, status, tudo pode ser questionado também. Outra função da série é dialogar sobre a rotina/monotonia das pessoas e fazer o telespectador questionar sobre uma vida e profissão das quais finge gostar ou que muitas vezes tinha intenção de mudar.

Mas existem os pontos negativos. Primeiro que a série poderia ter recebido o formato de um filme pois a trama é bem curta e talvez seria melhor se fosse vista num lance único, sem interrupções. A série não termina tão bem ganhando outro ritmo, um tanto apressado e caótico demais, apresentando dois episódios finais um tanto mornos e acaba perdendo um pouco o foco do clímax de aproximação entre os dois personagens, até a relação de entendimento/não entendimento entre eles passa a ser enfadonha e não criar mais tanta simpatia no telespectador.

Partindo para piadas de humor negro, apresentando outros personagens que tentam garantir mais risos para a trama e com um desfecho próprio para render uma segunda temporada, essa é uma série que começa bem apoiada por uma ideia simples porém interessante, mas que não termina da mesma forma. Não é um desastre, mas não será memorável e existem outras opções melhores dentro desse formato. Só não veja perto de seu(ua) ex.

NOTA: 6.5


NOTA DOS REDATORES:

Eduardo Juliano:
Isaac Lima:
Luciano Ferreira:
Marcello Almeida:

MÉDIA: 6.5


LEIA TAMBÉM:

RESENHA: FLEABAG  | 2016-2019
RESENHA: RUSSIAN DOLL | Boneca Russa (2019)


:: FICHA TÉCNICA:

Gênero: Comédia, Romance
Temporadas: 01
Duração: 25 a 32 minutos (7 episódios)
Direção: Kate Dennis, Natalie Bailey e Kevin Bray
Roteiro: Vicky Jones (criador),  Stacy Osei-Kuffour, Adam Countee, David Iserson, Georgia Pritchett e Kirstie Swain
Elenco: Merritt Wever, Domhnall Gleeson, Rich Sommer,  Phoebe Waller-Bridge e outros
Data de Lançamento: 12 de abril de 2020 (EUA)
Censura: 16 anos
Avaliações: IMDB / Rotten Tomatoes

 


:: Assista ao trailer:

Anteriores JOEY RAMONE | E o The Who como fonte de inspiração
Próximo CHARLES BURNS | E a alucinante Graphic Novel "Sem Volta"

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *