TINDERSTICKS – No Treasure But Hope (2019)



“No Treasure But Hope e um Tindersticks cada vez mais firme para a década que vai se aproximando.”

Foi em 1992 que o Tindersticks surgiu. Logo nos primeiros discos, a banda foi definindo suas características e antes do final da década, podia ser considerada como uma das mais importantes do indie-rock. Os méritos se valem de várias formas: a voz barítona de Stuart Staples, a banda competente e seus arranjos suntuosos, ótimos convidados para os álbuns (como a atriz Isabella Rosselini e Jehnny Beth do grupo Savages), letras que falam tanto de romances como da rotina da vida, a regularidade entre os álbuns resultando numa discografia extensa e sólida.

A maior preocupação de uma banda seja, talvez, se manter firme. Depois de 2000, outros panoramas chegaram, os ingleses começaram a se envolver com trilhas sonoras. Entretanto, Stuart começou a realizar seus discos solos, boatos começaram a rondar sobre a possível separação da banda em 2005. Por sorte, o grupo continuou. Outros discos de peso vieram, a exemplo de The Something Rain (2012) e The Waiting Room (2016).

Tindersticks é daquelas bandas que assumem suas influências e similaridades se situando tanto no passado da música como no presente: Leonard Cohen, Scott Walker, Nick Cave, The Velvet Underground, Lambchop, The Divine Comedy, Richard Hawley. É ter muitas referências musicais porém sem nada ser copiado ou plagiado. Tudo resultado em prol de uma sonoridade própria do grupo construída em três décadas.

A sonoridade dos ingleses pode chegar por meio de um minimalismo como o piano introspectivo e a poesia de Stuart (“For The Beauty” e “Carousel”) ou através da aproximação do indie-rock com o arranjo orquestrado (“Pinky In The Daylight”). Outra característica da banda são as letras quilométricas geralmente contando histórias que falam de amor, família, relacionamentos amorosos, sociedade e até amarguras (lembro da melancólica “My Sister” do disco Tindersticks II de 1995. Neste álbum, “See My Girls’ ocupa essa função ao criar um narrador que ao ver fotos pelas paredes de seu quarto vai lembrando dos amores de sua vida e dos lugares por onde viajou.

Metáforas também são constantes. Não pense em interpretar o que a banda quer dizer tão facilmente. Isso vale para “The Amputees” que se aproxima mais de uma poesia concreta. Mais do que fazer o ouvinte perceber os arranjos, também o obriga a questionar sua própria existência dentro de um mundo, diríamos, amputado.

No Treasure But Hope estaciona o Tindersticks numa posição segura e lembra da importância dos ingleses no atual cenário musical. O grupo hoje em relação aos 90’s não parece ter sofrido influências do tempo e das mudanças, adquiriu mais experiências e aprendeu com os caminhos que foi seguindo. Tudo cria uma esperança de um Tindersticks com muito por realizar na próxima década.

NOTA: 7,7


NOTA DOS REDATORES:
Eduardo Juliano:
Isaac Lima:
Luciano Ferreira:

MÉDIA: 7,7


::LEIA TAMBÉM:
THE SLOW SHOW – LUST AND LEARN (2019)
STUART A. STAPLES – ARRHYTHMIA (2018)


::FAIXAS:
01. For The Beauty
02. The Amputees
03. Trees Fall
04. Pinky in The Daylight
05. Carousel
06. Take Care in Your Dreams
07. See My Girls
08. The Old Mans Gait
09. Tough Love
10. No Treasure But Love
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::Mais Informações: Facebook/Site oficial


::Ouça “The Amputees”:

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