Nick Cave responde perguntas sobre ‘Misericórdia’, ‘Cultura do Cancelamento’ e mais


Nick Cave

Além de um canal no Youtube que transmite 24 horas de shows, vídeos, entrevistas e mais, o Bad Seed TeeVee – 24hr Nick Cave & The Bad Seeds, sempre adicionando novos conteúdos, o músico australiano Nick Cave também tem uma página dedicada a responder perguntas dos fãs, a The Red Hand Files (LINKS NO FINAL).

A página é uma meio de contato entre o artista e os fãs ou interessados em entrar em contato com Cave, diminuindo assim a distância com o cancelamento dos shows e promovendo certa “aproximação” com seu público. Lá é possível encontrar mais de uma centena de questões levantadas por pessoas ao redor do mundo e respondidas pelo artista.

Duas das mais recentes foram sobre ‘Misericórdia’ – tem uma música do cantor intitulada “Mercy on Me” (Misericórdia de Mim) – e ‘Cultura do Cancelamento’, e Nick não se furtou em responder:

O que é misericórdia pra você? Pergunta um leitor.

“A misericórdia é um valor que deve estar no cerne de qualquer sociedade funcional e tolerante. Em última análise, a misericórdia reconhece que somos todos imperfeitos e, ao fazê-lo, permite-nos respirar o oxigênio – para nos sentirmos protegidos dentro de uma sociedade, por meio de nossa falibilidade mútua. Sem misericórdia, uma sociedade perde sua alma e se devora.

A misericórdia nos permite a capacidade de nos engajarmos abertamente em conversas livres – uma expansão da descoberta coletiva em direção a um bem comum. Se a misericórdia é nosso guia, temos uma rede de segurança de consideração mútua e podemos, para citar Oscar Wilde, “brincar graciosamente com ideias”.

No entanto, a misericórdia não é dada. É um valor que devemos nutrir e aspirar. A tolerância permite ao espírito de indagação a confiança para vagar livremente, cometer erros, se autocorrigir, ser ousado, ousar duvidar e, no processo, se aventurar em ideias novas e mais avançadas. Sem misericórdia, a sociedade se torna inflexível, medrosa, vingativa e sem humor”.

“O que você acha da cultura do cancelamento?”. Questiona outro.

“Pelo que posso ver, a cultura do cancelamento é a antítese da misericórdia. O politicamente correto cresceu e se tornou a religião mais infeliz do mundo. Sua tentativa antes honrada de reimaginar nossa sociedade de uma maneira mais equitativa agora incorpora todos os piores aspectos que a religião tem a oferecer (e nada da beleza) – certeza moral e justiça própria desprovidos até mesmo da capacidade de redenção. Tornou-se literalmente, a má religião a enlouquecer.

A recusa da cultura do cancelamento em se envolver com idéias desconfortáveis ​​tem um efeito asfixiante na alma criativa de uma sociedade. A compaixão é a experiência primária – o evento cardíaco – da qual emerge o gênio e a generosidade da imaginação. A criatividade é um ato de amor que pode se chocar contra nossas crenças mais fundamentais e, ao fazê-lo, cria novas maneiras de ver o mundo. Essa é a função e a glória da arte e das idéias. Uma força que encontra seu significado no cancelamento dessas idéias difíceis prejudica o espírito criativo de uma sociedade e atinge a natureza complexa e diversa de sua cultura.

Mas é aqui que estamos. Somos uma cultura em transição e pode ser que estejamos rumo a uma sociedade mais igualitária – não sei – mas quais valores essenciais perderemos no processo?”

ACESSEM AS PÁGINAS NOS LINKS: Bad Seed TeeVee e The Red Hand Files.

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