Thriller policial com toques de drama, Deadwind se garante graças a primeira temporada


Deadwind-serie

Deadwind, sobretudo a primeira temporada, tem muito de The Killing, em alguns aspectos. Um único crime que segura toda a trama em seus doze episódios. Uma policial que comanda a investigação vivendo todo seu drama pessoal e enfrentando algumas barreiras criadas pelos próprios superiores.

A série tem todo o clima noir e gélido típicos do cinema nórdico, apresenta a determinada Sofia Karppi (numa boa atuação de Pihla Vitala) tendo que desvendar um crime que acaba se tornando complexo, com várias pistas, complicações e mistérios. A policial acabou de perder o marido, vítima de atropelamento, e ainda precisa enfrentar seu luto, além de ter que ficar ao lado dos filhos. De temperamento forte, Sofia não abre mão de sua carreira e conta com a ajuda de Sakari Nurmi (Lauri Tikanen), um policial vindo de outro distrito. Entretanto, essa relação não será tão fácil assim por conta do temperamento forte de ambos.

Sem muita conversa, o primeiro episódio já abre com o crime, com os dois policiais se conhecendo. Uma mulher assassinada foi enterrada em cova rasa num terreno perto de um lago. Acontece que esse lugar será usado para a construção de um complexo de residências que será abastecido por um inovador sistema de energia eólica criado pelo influente engenheiro Alex Hoikalla (Tommi Korpela).

Entrando num turbilhão de fatos e de descobertas, a dupla de policiais percebe que o crime não será de tão fácil solução, levando-os à vários lugares, situações e suspeitos possíveis. A primeira temporada convence mostrando as dificuldades da dupla de policiais perante as burocracias dentro do próprio departamento, a vida conturbada em casa, o relacionamento entre ambos e um caso que vai se desdobrando em algo maior do que imaginavam. Ao mesmo tempo, o espectador acompanha a trajetória do engenheiro Alex e sua luta para fazer com que seu projeto de energia eólica seja aprovado (o que praticamente garante outro clima tenso à trama).

Sem apelar para violência extrema, guardando segredos até o episódio final, trazendo carga dramática necessária sobretudo no temperamento forte de Sofia, a primeira temporada vale a conferida da série garantindo um bom entretenimento dentro desse gênero de crimes e suas complexidades.

A segunda temporada, por sua vez, sofre de mais inteligência narrativa. Com menos episódios (apenas 8), a série começa a focar bastante na ação e menos nos mistérios. Nem o número de suspeitos convence. Apesar disso, a temporada aposta agora em vários crimes que tem o mesmo tipo de procedimento, o que tudo leva a crer na existência de um possível serial killer.

Novamente há um outro núcleo dentro da trama. Dessa vez, uma vereadora quer construir um empreendimento na cidade porém se vê envolta numa série de corrupções e falsidades. Surgem outros problemas piores para Sofia em sua relação com os filhos, da mesma forma ela vai precisar passar por outro luto e seu parceiro Sakari tem descobertas chocantes que podem mudar sua vida.

Mesmo que continue se valendo da carismática e competente dupla de policiais – inclusive da persistência de Sofia que coloca sua inteligência acima de tudo, provando que há muito mais complexidade em torno dos assassinatos -, a segunda temporada da série acaba optando por um desfecho rápido e forçado, com um vilão que poderia ser melhor trabalhado criando episódios mais tensos. Nem as cenas externas e os diálogos entre os personagens são tão lapidados dessa vez, deixando a temporada um pouco arrastada.

Deadwind, apesar dos pesares, mostra que o gênero Thriller Policial ainda convence, caso sejam bem colocados dentro de um elaborado jogo de xadrez com todas as peças funcionando. Também não tem medo de mostrar um lado mais humano que mostra a dor da perda de entes queridos e a dificuldade de criar os filhos. Embora a primeira temporada seja melhor e mais eficiente em abordar tudo isso, podemos dizer que meio caminho foi andado corretamente, que servirá de modelo para uma terceira temporada, caso ocorra.

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FICHA TÉCNICA:

Temáticas: Mistério, Thriller, Drama
Emissora: Netflix
Temporadas: 2
Episódios: 20 (com duração entre 45 a 50 minutos)
País: Finlândia e Alemanha
Criadores: Rike Jokela, Kirsi Porkka, Jari Olavi Rantala
Elenco: Pihla Vitala, Lauri Tikanen, Mimosa Wilamo, Noa Tola, Vera Kiiskinen, Ville Myllyrinne, Jani Volanen, Tommi Korpela, outros
Data de Lançamento: 14 de Março de 2018
Censura: 16 anos
Avaliações: IMDBRotten Tomatoes

 


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