BEIRUT – Gallipoli (2019)


“Gallipolli é a confirmação do amadurecimento de um artista que não perde a criatividade e o poder musical”

Zach Condon é um exemplo de como o sucesso pode chegar de forma precoce para algumas pessoas. Com apenas vinte anos de idade, criou um dos mais belos discos de 2006, ‘Gulag Oskestar’, e na época o mundo se encantou com esse jovem músico que trazia um indie-pop inspirado nos Balcãs. Uma sonoridade que conseguia abranger tanto os amantes da música alternativa quanto da música orquestrada.

Ao criar “Gallipoli”, o quinto trabalho do Beirut, Zach Condon e sua banda estavam pensando justamente no primeiro disco, produzido há treze anos. Se “The Rip Tide” (2011) trazia um contorno mais rock, o novo álbum volta as raízes, o acústico e o orquestrado vem coma força máxima. O som está bem cru, a produção está menos requintada, mas como se tudo servisse para um propósito. Os sopros continuam dando o requinte das melodias. Claro que a maturidade chega para Zach e mesmo com 33 anos de idade, atualmente, ele sente que envelhecer é inevitável. Ouça ‘When I Die’ que abre majestosa e respeitosamente o trabalho. Segundo Zach, a letra foi ideia do irmão dele.

“Gallipoli” é um disco que pretende transportar o ouvinte para outras épocas, mesmo com toda uma tecnologia atual.

“Gauze Fur Zah” parece se inspirar em Burt Bacharach e se encaixaria muito bem na década de 60’s. A percussão de “Light In The Atol” se abre para a latinidade revelando que o Beirut não tem vergonha de beber de outras fontes, de outros ritmos. Vale lembrar que Zach nasceu no México e adora viajar pelo mundo, já esteve em lugares como Berlim e Nova Iorque. Tal constatação acaba pairando não apenas no título do álbum como em outras canções (“Corfu” é o nome de uma ilha grega, por exemplo).

A instrumental “On Mainau Island” pode parecer estranha e até ficar um pouco fora do contexto do álbum, todavia com mais audições acaba sendo uma das melhores. “I Giardini” é a mais folk do disco, soando bem melancólica. Ainda dá tempo de arriscar uma espécie de valsa em “Family Curse”. “Fin” fecha o disco com uma sonoridade Synthwave (parecendo algo do M83), expõe um Zach Condon experimentando outro gênero. Poderia ser ideia para o próximo álbum? Será? Não vamos pensar nisso agora, ficamos presos a “Gallipoli” que é um trabalho bonito, com um instrumental dinâmico, feito por um cara que vai amadurecendo com sabedoria.

:: NOTA: 8,0
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NOTA DOS REDATORES:
Eduardo Juliano:
Isaac Lima:
Luciano Ferreira:
MÉDIA: 8,0
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:: LEIA TAMBÉM DE EDUARDO SALVALAIO: BUKE AND GASE – SCHOLARS (2019)

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:: FAIXAS:
01. When I Die
02. Gallipoli
03. Varieties Of Exile
04. On Mainau Island
05. I Giardini
06. Gauze Fur Zah
07. Corfu
08. Landslide
09. Family Curse
10. Light In The Atol
11. We Never Lived Here
12. Fin

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:: Mais Informações:
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:: Confira o vídeo de “Landslide”:

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2 COMENTÁRIOS

  1. Avatar
    Ângelo Fernandes
    07/02/2019
    Responder

    Falar que é mais uma boa resenha, sua entre tantas, é chover no molhado… Mais um álbum que merecia uma resenha deste nível, de uma banda que também merece uma atenção especial.

  2. E mais uma vez, agradecemos a sua visita e seus comentários, caríssimo Ângelo. Beirut é aquela banda que sempre mostra um amadurecimento, mesmo usando elementos lá do primeiro disco, sem abusar dos recursos eletrônicos, mantendo seu jeito de ser. Fatos que sempre chegam ligados para pessoas que aprenderam a gostar de música cedo demais, como o Zach Condon.

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