MY SAD CAPTAINS – Sun Bridge (2017)


Londrinos chegam ao quarto trabalho apresentando sonoridade mais polida, preocupados com arranjos mais rebuscados e traçam um caminho seguro para a posteridade.

Faço parte daqueles que remam contra a maré e preferem dizer que a internet não estragou com o mundo da música. Até pelo contrário. Graças aos recursos que são gerados com essa vasta rede de informações é que fui descobrir bandas promissoras como My Sad Captains. E através desses mesmos recursos, pratico o ato de divulgar o que precisa ser revelado ou ter um maior alcance de público.

Da mesma forma, descobri que a banda inglesa não é tão nova quanto parece. Atua desde 2004. Imaginava que o bom disco anterior, ‘Best of Times’ (2014), era o début. E não. O grupo tem dois discos na bagagem, porém foi com o álbum de 3 anos atrás que assinaram com uma gravadora de nome como a Bella Union (que teve nomes de peso como Midlake, Andrew Bird e Beach House em seu catálogo). ‘Sun Bridge’, o quarto trabalho de estúdio, vem ainda mais polido e revela um grupo em amadurecimento, que vai criando sua segurança, preocupados ainda mais com melodias cativantes e com arranjos rebuscados. Para muitos, o My Sad Captains é mais um dos grandes nomes surgidos na era do gênero dream-pop, que seja assim então.

Característica do My Sad Captains é não ter pressa em suas canções. Algumas faixas chegam a ter 8 minutos, o que já acontecia em ‘Best Of Times’. Mesmo que construam músicas com uma base de pop-rock ensolarado (como na cativante ‘Don’t Listen To Your Heart’), enganam o próprio ouvinte gerando toda uma expectativa do que está por surgir.

Por exemplo, ‘Destination Memory’. Começa toda climática e parece que ficará apenas instrumental, todavia ganha mais peso, refrão matador e fecha com um belo duelo de guitarras. Citando a guitarra, em ‘Sun Bridge’ esse clássico instrumento ganhou mais ênfase, os ingleses requintaram ainda mais as linhas melódicas, o dedilhado se faz mais presente, toca mais o coração do ouvinte. ‘Curtain Calls’ (com The Smiths vindo logo na memória) é um relevante exemplo.

Algumas composições seguem por um processo simples. A letra é formada por apenas duas únicas frases que são repetidas à exaustão e se formam como uma espécie de mantra, em contrapartida, o ouvinte da mesma forma é conquistado pelo instrumental que hipnotiza e revela um grupo que sabe dar importância também aos teclados e a percussão (‘None In A Million’). ‘Relive’ é o fechamento perfeito que todo disco deveria ter. Outra canção longa e que resgata o prazer de ouvir o pop-rock triunfal lá dos anos 80’s/90’s.

‘Sun Bridge’ é aquele disco que surge só dependendo de quanto o ouvinte é ávido por novidades. Porque infelizmente, a banda, mesmo chegando ao seu quarto trabalho, continua num certo anonimato, sem burburinhos pelas redes, apesar de estar seguindo um caminho promissor e com ares de banda de peso. My Sad Captains é um daqueles grupos conhecidos através da internet, nosso veículo principal em tempos onde seria mais fácil investigar nomes novos e interessantes da música do que ficar reclamando a respeito que nada de novo e bom existe hoje em dia.

INTEGRANTES DA BANDA: Ed Wallis (vocais, guitarra), Nick Gross (guitarra), Jim Wallis (bateria, teclados, vocais) e Dan Davis (baixo).

NOTA: 8,0

:: FAIXAS:
01. Early Rivers
02. Everything At The End Of Everything
03. Destination Memory
04. Don’t Listen To Your Heart
05. None In A Million
06. William Campbell
07. Curtain Calls
08. New Sun
09. Wintersweet
10. Relive


:: MAIS SOBRE A BANDA:

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:: Assista ao vídeo de ‘Everything At The End Of Everything’:

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