SHOEGAZE WORLD #6 | O Shoegaze que vem da Rússia ou R-Gaze


Blankenberge band

Blankenberge: provável melhor disco de 2021 vem da Rússia

O Shoegaze deu seus primeiros passos e conheceu seu ápice no final dos anos 80/começo dos anos 90, na Inglaterra. De lá para cá, muitos acordes cheios de efeitos foram criados e deram fama a uma porção de artistas, dos quatro cantos do mundo. Um desses cantos em que o estilo ganhou e ainda vem ganhando um número crescente de fãs é a Rússia, que tem atualmente como seu expoente máximo dos ruídos melodiosos o Blankenberge.

A história da banda começa no começo de 2015 com Yana Guselnikova e Daniil Levshin na pequena cidade de Barnaul, na Sibéria. Eles trabalharam algumas canções, que no início pareciam ser um Post-Rock com vocal, e decidiram levar a carreira artística a sério. Mudaram para um centro bem maior, Saint-Petersburg, e adotaram o nome Blankenberge, tirado de uma cidade litorânea da Bélgica visitada por ambos.

Estabelecidos em Saint-Petersburg, trouxeram para seu lado o baixista Dmitriy Marakov e o baterista Sergey Vorontsov, e a banda estava formada. Em março de 2016 o Blankenberge lança seu primeiro trabalho, um EP homônimo, ainda com sombras de Post-Rock, mas já com um forte acento Shoegaze. Em passagens mais leves, a delicada
voz de Yana carrega a sonoridade da banda para um lado Dreampop.

A repercussão do primeiro EP foi acima do esperado. A força das composições de Yana e Daniil colocou o Blankenberge no mapa-mundi do Shoegaze e também ajudou na criação de um subgênero, o R-Gaze (basicamente, o Shoegaze feito na Rússia). A banda despertou atenção até no Brasil, e foi convidada por Renato Malizia, dono da extinta gravadora The Blog That Celebrates Itself, a fazer a cover de “Pictures of You” para a compilação The Cure In Other Voices. O primeiro EP, Radiogaze, lançado em junho de 2017, encantou ainda mais os ouvidos gazers e o caminho para o sucesso dentro da comunidade Shoegaze foi pavimentado.

Um dos segredos do Blankenberge ser tão querido é sua constância musical. Há poucas diferenças entre o EP homônimo de 2016 e o espetacular Everything, lançado em novembro e provavelmente o melhor disco de Shoegaze deste ano. Talvez apenas a redução das passagens instrumentais do início, que os aproximavam do Post-Rock. Se você quer ouvir um Shoegaze clássico feito por uma banda atual, deve se dirigir à página do grupo no Bandcamp e escutar a discografia inteira. É um deleite para ouvidos bem
treinados.

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Para fazer o blog Shoegazer Alive catalogo em uma planilha de Excel bandas Shoegaze e as separo por subcategorias (Shoegaze, Nugaze, Noisepop), país de origem e data de lançamento, além de atribuir notas. Para entrar na tabela principal e serem publicadas no blog, as bandas têm que receber notas 9 ou 10 – isso é necessário devido ao grande
número de trabalhos lançados a cada dia sob a tag Shoegaze, a maioria deles nada a ver. Assim, em todas as colunas falarei de bandas muito bem cotadas, como as de R-Gaze
que apresento a seguir.


LOLITAS LOVERS | Big Fuss EP

Debut de estreia da banda moscovita, com pouco ruído, mas com a melancolia clássica dos gazers. Lembra bandas como o Ride, após cansarem do excesso de pedais.


Космос на потолке | Маленькая Луна

O bacana do R-Gaze é que muitas bandas apresentam-se na linguagem nativa, seja no próprio nome, seja nas letras. O Космос на потолке (ou Space on the Ceiling), de Moscou, faz um Shoegaze leve, com influências de Indie-Rock e Dreampop.


SLEEP OVERLOAD | Horror Film

Para quem gosta de Shoegaze experimental na linha My Bloody Valentine, o Sleep Overload é uma ótima recomendação. O interessante de seu último EP, lançado às vésperas do Halloween, é a temática de horror, incomum em bandas do estilo.


Звёздная Грань | Метель

Звёздная Грань (ou Star’s Edge)  vem de Kirov, capital da província russa de mesmo nome, e faz parte de um crescente grupo de artistas russos que fazem Shoegaze com influência Post-Punk. Ou Post-Punk com influência Shoegaze, como queiram.

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