THE LODGE | 2019


The Lodge, cena do filme para resenha do URGESITE

“The Lodge impacta e assusta, criando uma atmosfera obscura repleta de tensão e suspense”

A dupla Veronika Franz e Severin Fiala causaram momentos inquietantes e assustadores com seu filme de estreia Boa noite Mamãe, de 2016. Filme que elencou burburinhos pela internet e ganhou os corações de críticos e espectadores pelo mundo a fora. A dupla está de volta com seu segundo thriller de terror psicológico The Lodge.

O longa já inicia de forma brutal e perturbadora, demonstrando a atmosfera sombria e densa que perpetuará sobre o filme. The Lodge recria vários aspectos e elementos encontrados em Boa Noite Mamãe: duas crianças alojadas em uma cabana isolada, com circunstancias que caminham para momentos de total delírio e loucura. As crianças em Boa Noite Mamãe eram perversas, desalmadas, assombradas pelas sombras do passado; em The Lodge conquanto, podem ser qualquer uma dessas coisas ou nenhuma delas. Os diretores vão entregando uma atmosfera de jogos psicológicos que não fazem usos de jump scare para impactar, assustar e prender a atenção do espectador.

A premissa do filme acompanha Laura (Alicia Silverstone, de O Sacrifício do Servo Sagrado) levando seus dois filhos para o pai. O casal está passando por um processo de divórcio, situação que cria um clima de descontentamento entre os filhos, pelo fato de não aceitar a nova namorada do pai.  E após ele dizer que vai se casar novamente, Laura tranquilamente vai para casa e comete algo que se torna perturbador pelos detalhes como foi filmado. Esse ocorrido vai mexer com a vida de ambos.

The Lodge, cena do filme para resenha do URGESITE

Após alguns meses do acontecido, o pai das crianças faz uma proposta para que eles passem um tempo com Grace (Riley Keough, de A Casa que Jack Construiu), como forma deles se conhecerem melhor e aceitar Grace de uma vez por toda na vida deles. Com muita contrariedade as crianças aceitam passar uns dias com Grace em uma cabana totalmente isolada e cercada pela neve.  Ao chegar ao local Grace tenta de todas as formas se entrosar com as crianças, mas não vai demorar muito para que esse retiro na neve venha a se tornar algo perturbador e sombrio.

Grace é marcada por traumas do passado e tem seus segredos obscuros, já as crianças alimentam o sentimento de que Grace seja uma psicopata, elementos de sobra para enfatizar o enredo da dupla de diretores, que criam de forma instigante momentos de claustrofobia, perturbação e loucura, devido ao isolamento.  E não demora muito para eventos esquisitos começarem a acontecer, elevando a sensação de mistério e suspense, criando atmosferas que não deixam claro se de fato são eventos sobrenaturais ou algum dos três na cabana está por traz daquilo tudo.

O aspecto visual do filme agrada e impressiona. O cenário envolto da imensidão de neve e a cabana, criam uma sensação assombrosa que lembram Os Outros (2000), até mesmo situações de conflitos e acusações que fazem referências ao clássico, O Enigma de Outro Mundo (1982), e uma série de simbolismos escondidos na história que lembram muito o filme de Ari Aster, Hereditário, de 2018.

The Lodge cria uma serie de atmosferas sombrias para brincar com a imaginação do público que muitas vezes, falando narrativamente, acerta e por outras tem suas ressalvas. A medida que cada vez mais os personagens vão se afundando no desespero imposto pelo cenário claustrofóbico, o filme se perde um pouco entre o drama e o horror e vai jogando reviravoltas em cima de reviravoltas para se abastecer de suspense e mistérios.

Algo interessante nos enquadramentos é o devido cuidado para não focar o rosto de Grace, sempre a colocando por trás de vidros e janelas ou em cenas de costas. Detalhe chupado do primeiro longa da dupla, que vai apresentando a figura da mãe com dose lentas. Detalhe que sustenta de forma estimulante a força motora da trama e conduz o clima de mistérios.

The Lodge, cena do filme para resenha do URGESITE

The Lodge é um longa de terror psicológico de alto nível que possui seus erros e acertos. Quando o longa parecia estar preparando para entregar um terceiro ato sinistro e um tanto impactante como o de Hereditário, os diretores decidiram pisar o pé no freio, e optar por um desfecho mais comum, mais óbvio. E essa decisão de descartar um elemento poderoso, acaba desconstruindo toda uma narrativa ensaiada desde o primeiro ato. Decisão essa que pode ser explicada por ter sido realizado nos EUA/UK.  Trazer diretores europeus para trabalhar em Hollywood quase nunca dá certo, os cineastas acabam sendo podados pelo sistema dos grandes estúdios.

Mesmo com esse desfecho mais comum, é um filme que entrega uma atmosfera claustrofóbica, perturbadora, com ótimos momentos de tensão e suspense. Não chega a ser tão marcante e efetivo quanto Boa Noite Mamãe, mas apresenta elementos para uma boa experiência nesses tempos de isolamento social.

NOTA: 7.5


NOTA DOS REDATORES:
EDUARDO JULIANO: –
EDUARDO SALVALAIO: –
ISAAC LIMA: –
LUCIANO FERREIRA: 5.0
MÉDIA: 6.3


LEIA TAMBÉM:

RESENHA: A ENVIADA DO MAL | 2015
RESENHA: HEREDITÁRIO | 2018


The Lodge, poster do filme

:: FICHA TÉCNICA:

Gênero: Drama, Mistério, Thriller
Duração: 1h48min
Direção: Severin Fiala, Veronika Franz
Roteiro: Sergio Casci, Veronika Franz e Severin Fiala
Elenco: Riley Keough, Jaeden Martell, Lia McHugh, Alicia Silverstone, Richard Armitage  e outros
Data de Lançamento: 07 de fevereiro de 2020 (Cinemas)
País de origem: EUA / Reino Unido
Censura: 16 anos
Avaliações/Informações: IMDB | ROTTEN TOMATOES

 

 


:: Assista ao trailer:


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