10 PERGUNTAS PARA CLUBE DE PATIFES


Foto da banda Clube de Patifes

Formada em 1998, a banda Clube de Patifes é uma das mais longevas da cena alternativa de Feira de Santana e também das mais ativas em termos de shows. Com quatro álbuns de estúdio lançados e mais um acústico, a banda tem como núcleo central desde o início Joilson (baixo), Pablues (voz e gaita) e Paulo (bateria), sempre variando os guitarristas.

Com sua música que segue misturando referências do Blues, do Rythmn and Blues e do Rock’n’Roll, e adicionando elementos da música regional e nordestina, a banda leva adiante a sua proposta norteadora de “Unir as águas do Rio Mississipi às águas do Paraguaçu e São Francisco”, no que denominam de Candomblues.

Prestes a lançarem seu mais novo álbum, intitulado Macumba, a banda lançou o single “Bebi Com um Deus”, que mostra um pouco do que está por vir no novo trabalho do grupo, o quinto de sua carreira. Para conhecer um pouco do novo disco e também da história da banda, enviamos nossas 10 Perguntas, que foram respondidas pelo baixista Joilson, que também deixou uma playlist com várias dicas musicais (AO FINAL DA ENTREVISTA).


01. Vocês estão para lançar o álbum Macumba, como e quando aconteceu o processo de gravação? O álbum já está pronto e qual a previsão de lançamento? Pretendem lançar em formato físico?
R: Na verdade a gente iniciou as gravações do disco no estúdio T, mas não está pronto. Temos uma boa parte do repertório fechado, mas todo o processo ainda está no início, então não temos uma previsão para seu lançamento.  A gente pretende lançar ele físico sim, mas sinceramente não sei se será possível, mas vontade temos.

02. Há um conceito impresso no título do novo álbum, Macumba. A ideia é essa, de que seja conceitual e que esteja presente nas canções? E como vocês acompanham esse recrudescimento da intolerância religiosa?
R: Quando pensamos no título do disco, a gente ainda estava no estúdio gravando Casa de Marimbondo. Na verdade,  já é uma tradição no Clube de Patifes isso, a gente finaliza um disco e já sai do estúdio com ideia do próximo e o título, isso acontece desde o lançamento de Do Palco ao Balcão.  A ideia do álbum é meio que a consolidação de algo que começamos a fazer já no segundo disco da banda, Com um Pouco Mais de Alma, que é o de conectar nossa música com a cultura negra brasileira e o Candomblé.

No fim das contas, isso tudo é Blues e é o que a gente continua fazendo, mas é com olhar nosso, a partir daqui de onde vivemos, onde pisamos. A gente no início da banda falava o tempo inteiro em “Unir as águas do Rio Mississipi às águas do Paraguaçu e São Francisco”, e o aprofundamento  desse conceito é justamente o que chamamos de Candomblues. O Candomblues está presente no segundo disco na abertura, cruzando o aboio do Caboclo Boiadeiro com uma música de John Lee Hooker, e ele se define como estética musical na música “Um Dia Blue”, ela é o ponto de partida disso. A gente, sem pressa, vem se aprofundando nessa ideia e ela se desdobra em outras canções nos discos seguintes, no Acústico e em Casa de Marimbondo e isso sempre ocorrendo de forma leve, sem pressa e natural.

Então, finalmente, respondendo sua pergunta, rsrsrs, quando concluímos o Casa de Marimbondo a gente pensou que poderia ser interessante fazermos um disco totalmente concentrado na ideia do Candomblues, unindo estética sonora e lírica e é por isso que vamos chamar o nosso quinto álbum de Macumba, e isso já responde a sua outra pergunta sobre intolerância religiosa. Pensar no nome que muita gente usa de forma preconceituosa para falar da nossa fé e para ser estampada como tema central do disco é uma reação ao preconceito e intolerância que existe em torno das religiões de matriz africana. “Nos chamam de macumbeiro, eu sou o que sou e nada mais” já diz a letra de “Vela”.

Capa do single Bebi com um Deus, do Clube de Patifes

03. Vocês lançaram recentemente o single “Bebi com um Deus”, que mostra uma mistura de Samba e riffs de guitarra mais pesados, é uma tendência no novo trabalho? Há referências novas entrando no som da banda?
R: Sim, é a tendência do novo trabalho, por isso escolhemos ela para ser o primeiro single e mostrar mais ou menos o que vai ser encontrado no Macumba. As referências de música popular, principalmente do Nordeste, sempre esteve presente em nossa música, mas ao longo dos anos ela vem aparecendo com mais clareza como parte do que compõe essa nossa estética musical, e é fácil fazer isso porque a métrica e o ritmo na música nordestina é muito semelhante à base que já utilizamos em tudo que fazemos que é o Blues.

04. Musicalmente, de que forma o novo álbum se aproxima ou segue por um direcionamento diferente de Casa de Marimbondo?
R: Acho que existem algumas músicas no Casa de Marimbondo que dialogam muito com o que estamos pensando pra esse disco, “Hey Mamma”, “Voodoo”,  “2 de Novembro” e “Inquilino”. Acho que as semelhanças irão parar por aí.

Porque a ideia de Macumba é aprofundar nosso Candomblues, inserir com mais força o nosso Candomblé. Acredito que será um disco bem diferente do que já fazemos e muito mais maduro principalmente no que queremos dizer com nossa música.

05. Casa de Marimbondo tinha algumas participações especiais, incluindo de Luiz Caldas, como aconteceu? Há alguma nesse novo trabalho?
R:  Quando fomos gravar o disco, Pablues já tinha a ideia de convidar Luiz Caldas e André T e ele são muito amigos, então foi fácil fazer a ponte.

Sim pretendemos convidar algumas pessoas para o novo disco, inclusive “Bebi com Deus” já conta com a participação de Bel da Bonita e Ramiro Barbosa, ambos do grupo Africania, aqui de Feira.

06. A Clube de Patifes sempre teve como núcleo Joilson, Pablício e Paulo, variando os guitarristas. Nesse  álbum vocês repetem a mesma formação do antecessor? De que forma essa rotatividade de guitarristas e também a participação de Joilson e Pablício em outros projetos (Erasy e Casapronta) acabam influenciando musicalmente na Clube de Patifes?
R: A gente não vai repetir, rsrsrs. Quem gravou o Casa de Marimbondo foi Sérgio Magno e Rodrigo Borges, ambos saíram da banda logo após o lançamento do disco e desde então contamos com Marquinhos Menezes e Luyd Andrade nas guitarras. A mudança de guitarristas sempre impactou no som da banda, mas acredito que no caso desse disco não vai haver tanto impacto por dois motivos: O primeiro é que Marquinhos e Luyd tem estilos parecidos de tocar ao de Rodrigo e Sérgio, são praticamente da mesma geração de guitarristas de Feira e a galera se conversa muito; o outro motivo é que a produção continua a cargo de André T que contribui muito com a timbragem das guitarras nas gravações, talvez até por isso você achou a sonoridade semelhante de “Bebi com Deus” e “Casa de Marimbondo”. Quanto aos projetos acho que não influencia na sonoridade porque são projetos bem diferentes, principalmente a Erasy. Mas no meu caso mesmo, aprendi muita coisa em relação as composições na Erasy, porque trabalhamos de outra forma lá e isso tem me ajudado muito na forma de pensar o baixo na banda, mas é mais metodologia do que sonoridade.

07. Em 2013 vocês lançaram o álbum acústico e fizeram alguns shows, o que levou vocês a experimentarem o formato e como foi a experiência?
A banda estava se aproximando dos 15 anos de carreira e a gente buscava apresentar alguma coisa diferente para a data. Nisso, Pablues chegou com a ideia de fazermos um show acústico com alguns convidados. Em 2012, estreamos esse show no Antiquário com a participação de Gabriel Ferreira (percussão), Fabrício Barreto e Billy Cascão, ambos na época do Embalagem Acústica. A experiência foi muito legal, curtimos muito fazer, e nos empolgamos para produzir o disco, que acabou sendo lançado no ano seguinte. Chegamos fazer até uma mini tour com este show e a resposta foi incrível por onde passamos.

 

08. Pode ser coincidência, mas, diferente da maior parte das bandas, o espaço entre os álbuns de vocês está cada vez menor. Vocês perceberam e ao que atribuem isso?
R: Acho que isso é fruto de algumas facilidades que existem hoje para gravar e que não havia quando a banda gravou os dois primeiros discos. Para você ter ideia, no Com um Pouco Mais de Alma tivemos diversos contratempos: arquivos perdidos, baterias que tivemos que refazer de praticamente todo o álbum, além de ter passado por três estúdios só para finalizar as gravações. A mixagem e masterização foi outra trabalheira. Hoje as dificuldades diminuíram um pouco isso contribui para encurtamento do tempo entre um trabalho e outro.

09. Com mais de vinte anos de carreira, alguns discos lançados, um nome construído na cena musical alternativa feirense e baiana, vocês passaram por momentos diversos, como avaliam o momento atual, tomando como base o pré-pandemia do Covid-19, e quais as perspectivas para o pós-pandemia?
R: Eu não me lembro de ter passado por crise pior que essa em toda minha vida. Não só por conta da pandemia, mas conta desse governo também que complica bem mais tudo. Acho que vamos sair diferentes dela, e muita coisa vai mudar no pós-pandemia, mas é tudo uma incógnita, mas principalmente no entretenimento as coisas vão voltar de forma muito lenta e bem diferentes. Não da pra dizer muita coisa porque o especialistas dizem que tudo vai piorar muito ainda antes de melhorar, então temos que apertar o cinto para passar por essa turbulência.

10. Quais outras manifestações artísticas lhes atraem e quais autores/artistas/títulos, à parte da música, indicariam para quem acompanha A Clube, principalmente nesse período de isolamento?
R: Eu gosto muito de literatura, cinema, séries. Eu recomendo dois livros que li recentemente, sou fã de biografia de artistas da música e terminei semana passada a biografia de Tony Iommi, do Black Sabbath. Sou muito fã da banda e a leitura foi uma delícia, e é uma ótima leitura para quem gosta da banda ou para quem simplesmente gosta de música. Outro livro que terminei recentemente foi O Ultimo Voo do Flamingo, de Mia Couto, outro livro excelente, e o jeito que Mia Couto escreve é maravilhoso.  No cinema acho que o isolamento é uma ótima oportunidade para ver os filmes de Tarantino, principalmente Pulp Fiction e Cães de Aluguel.

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:: Discografia:

– Do Palco ao Balcão (2001)
– Com um Pouco Mais de Alma (2010)
– Clube de Patifes (Acústico, 2013)
– Casa de Marimbondo (2016)


:: Ouça a Playlist criada por Joilson:

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