7 ÁLBUNS QUE FAZEM TRINTA ANOS EM 2019



Num ano em que as paradas estavam dominadas pelo metal farofa ou pelo pop descartável, 1989 pode parecer um ano bem decepcionante no tocante a lançamento de álbuns, mas olhando de forma mais detalhada, conseguimos encontrar alguns lançamentos interessantes daquele ano. Fizemos nossa listinha de sete álbuns que completam 30 anos, mas, mais uma vez, percebemos que até dava pra fazer uma lista maior, inclusive com álbuns nacionais…e quem sabe elas não saem?! Para citar alguns: “L’Eau Rouge” (Young Gods), New York (Lou Reed), “Love is Hell” (Kitchens of Distinction), “Bizarro” (Wedding Present), “Pauls Boutique” (Beastie Boys), “Automatic” (The Jesus & Mary Chain), “3 Feet High & Rising” (De La Soul), “Superfuzz Bigmuff” (Mudhoney)…

Interessante perceber que todos os álbuns constantes nessa lista são emblemáticos ao seu modo: enquanto os veteranos do New Order e The Cure alcançam o patamar mais alto de suas carreiras, os novatos dos Pixies chegam ao seu melhor álbum já no segundo disco; por seu lado, O RHCP encontram o equilíbrio perfeito do seu mix de rock com funk, iniciado em “Uplift Mofo Paty Plan”; enquanto os estreantes Sugarcubes e Stone Roses atraem todos os holofotes da mídia mundial e o também estreante Nirvana ironicamente passa quase despercebido.


The Cure – Disintegration

Capa do álbum "Disintegration", do The CureApós o caldeirão de gêneros e sonoridades que foi o álbum “Kiss Me Kiss Me Kiss Me”, chegando a casa dos trinta, Robert Smith se impôs a tarefa de produzir o álbum que deveria ser sua obra-prima. Entre tribulações diversas com a banda e com sua própria saúde física e mental, Smith conseguiu seu intento, “Disintegration” é o ápice da discografia do The Cure, sintetiza boa parte do que a banda fez na década de 80, canções densas e gélidas, algo totalmente à margem do que estava sendo produzido no reino Unido e no mundo naquele momento.. “Disintegration” se tornou para muitos um marco na carreira do The Cure, dividindo-a entre o antes e o depois do álbum.


New Order – Technique

Capa do álbum "Technique", do New OrderAo mesmo tempo que influenciou o surgimento e expansão da cena eletrônica na Inglaterra, o New Order se viu influenciado pelas raves, pelo indie-dance, por tudo que estava acontecendo naquela época, saíram com o seu álbum de proposta mais escancaradamente eletrônica até então. Com arranjos inteligentes, letras com certa melancolia e linha de baixo melódicas (como de costume), cometeram o melhor álbum de sua carreira. E se o eletrônico aparece forte em “Technique”, há bastante espaço também para o lado mais orgânico, alcançando aqui o perfeito equilíbrio entre os dois lados. Nove hits num álbum de nove canções.


Pixies – Doolitle

Capa do álbum "Doolittle", do PixiesUm ano apenas após tirar o fôlego de muita gente com o seminal “Surfer Rosa” e os Pixies nos deram outro excelente álbum. Se o anterior era uma aula de crueza e visceralidade ressaltado pelo trabalho de produção, “Doolitle” investe na “sofisticação” da música do quarteto de Boston sem lhes tirar quaisquer de suas qualidades, ao contrário, expande sua musicalidade para universos que até então pareciam inimagináveis. As linhas de baixo de Kim surgem mais criatalinas, Black Francis continua ensandecido e Joey Santiago segue inventivo costurando os arranjos com riffs de guitarra bastante inventivos. Um clássico dos anos 80.


Red Hot Chilli Peppers – Mother’s Milk

Capa do álbum "Mother's Milk", do RHCP“Mother’s Milk” está marcado na discografia dos californianos RHCP como o álbum de estreia do então novato guitarrista e garoto prodígio, John Frusciante, na época com dezenove anos. Se a perda do guitarrista Hilel Slovak foi um grande baque para o grupo, a entrada de Frusciante levou a música do grupo para novos patamares, concretizando de forma definitiva a mistura de rock e funk que a banda vinha trabalhando desde os primeiros álbuns. Apesar de soar um álbum com alguns passos ainda indecisos, “Mother’s Milk” é o penúltimo estágio para a banda chegar ao seu estágio mais elevado, que viria a acontecer dali a dois anos.


Sugarcubes – Life’s Too Good

Tudo que se ouviu falar da Islândia em termos musicais a partir de 1989 deve-se aos Sugarcubes.”Life’s Too Good”, seu álbum de estreia, foi o chute que abriu as portas da Islândia para o mundo e as portas do mundo para o grupo de Einar Örn e Bjork. Com sua música de atmosferas pop ao mesmo tempo estranhas e sedutoramente atraentes e anárquicas, os islandeses mostraram que a música pop poderia unir esses elementos de forma bastante interessante e criativa, mesmo sem tentar inventar a roda ou algo do tipo. A música dos islandeses ao tempo que não apresentava nada de novo, parecia ter sido feita por pessoas de outro mundo, com destaque para os duetos vocais fantásticos entre Bjork e Einar.


The Stone Roses – The Stone Roses

Capa do primeiro álbum da banda Stone RosesOs jovens de Manchester do quarteto The Stone Roses atingiram o mundo da música como uma avalanche. A mistura de elementos sessentistas (jangle guitars e psicodelia) com batidas dançantes e melodias certeiras a cargo das guitarras do prodígio John Squire, somado a doses gigantescas de pretensão e uma atitude propositadamente blasé, fizeram com que o mundo mais uma vez se voltasse para olhar mais de perto o que acontecia na industrial cidade de Ian Curtis. A banda de Ian Brown não apresentava nada de novo, apenas condensava todas as referências citadas de forma competente e com o frescor pop necessário para atrair jovens e adultos que ou os amava ou odiava, principalmente pelo hype enorme. Por sinal, depois do surgimento dos mancunianos, a palavra hype nunca foi tão usada. Apesar de tudo, o álbum de estreia do grupo é um dos melhores debutes de todos os tempos.


Nirvana – Bleach

Capa do álbum "Bleach", do NirvanaDescobertos pela maioria dos mortais só quando lançaram o tsunami chamado “Nevermind”, em 1989 o Nirvana era apenas mais uma banda do selo Sub Pop fazendo música barulhenta e aparentemente despretensiosa, assim como o Mudhoney e muitas outras. Como álbum de estreia, “Bleach” mostra uma banda interessada em fazer barulho seguindo a herança das bandas barulhentas de Michigan, Stooges e MC5, adicionando influências do rock pesado. Gravado sob a tutela de Jack Endino ao custo de míseros seiscentos dólares, o álbum acabou se tornando objeto de culto por um sem fim de bandas e fãs, por sua aula de simplicidade, boas ideias e baixo custo de produção. “Bleach” foi o passo inicial, talvez jamais imaginado, para tudo que viria a acontecer com o Nirvana e também com a música em todas as suas vertentes a nível mundial.


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:: Ouça “Birthday”, do Sugarcubes:

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