NOTHING – Guilty of Everything (2014)


“Cortinas de guitarra assolando os ouvidos com brutalidade e delicadeza”

Não se deve dar ouvidos a tudo que falam, nem acreditar em tudo que se lê. Estar com os ouvidos abertos para escutar e a partir daí julgar se aquilo lhe serve ou não. Essas regras servem para nossa conduta diária, e serve também quando se trata de música.

Isso porque às vezes as referências relacionadas a uma banda são as mais estranhas e sem sentido que se possa imaginar. Muitas vezes me pergunto se essas pessoas que inventam certos termos realmente ouvem o álbum antes de sair rotulando.

Nessa “carimbação” maluca, a música do ‘Nothing’ recebe uma diversidade de classificações: post-metal/shoegaze, post-hardcore/shoegaze, shoegaze/metal/noise hibryd, fuzzed-out shoegaze e outras mais. Talvez essa misturada se deva às origens de seu fundador, Dominic Palermo.

No início da decáda de 2000, o guitarrista e fundador do ‘Nothing’ comandava uma banda de hardcore chamada Horror Show, que era conhecida na cena local. Além disso, o selo no qual estão abrigados, Relapse Records, é especializado em banda pesadas, a maioria de metal.

Pois deixe que a música fale por si.

Então ‘Guilty of Everything’ nos dirá o quanto a banda gosta de se esbaldar em paredes de guitarras distorcidas, que gostam do paradoxo de noise em crescendo com suavização melódica

Nos dirá que as baquetas gostam de espancar violentamente a bateria com uma fúria às vezes colossal; e também mostrará vocais desolados e quase submersos na massa sônica perpetrada pela banda.

O prenúncio de um álbum interessante por vir já havia sido evidenciado pelo EP ‘Downward Years To Come’, lançado em 2012. Ali já estavam presentes todos os elementos encontrados no álbum.

Como todo bom álbum que se preze, ‘Guilty of Everything’ abre com uma faixa poderosa, ‘Hymn to Pillory’ é a mescla entre tranquilidade quase acústica e a selvageria de riffs ultra saturados, que chegam como cascatas de barulho e microfonia. A maior parte das canções duram em média quatro minutos, tempo suficiente para que possam desenvolver essa mistura antagônica entre delicadeza e brutalidade, calmaria e caos.

Quase todas as canções são construídas com andamento cadenciado, ‘Bent Nail’ é a única que foge à regra, tem uma pegada rápida e viradas de bateria aceleradas. Mas a canção mais marcante acaba sendo mesmo ‘B&E’, onde cortinas de guitarra assolam os ouvidos num ritmo hipnótico e crescente atingindo um clímax colossal.

Até aqui, o melhor álbum shoegaze/dreampop do ano.

:: NOTA: 8,5

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:: FAIXAS:

01. Hymn to the Pillory
02. Dig
03. Bent Nail
04. Endlessly
05. Somersault
06. Get Well
07. Beat Around the Bush
08. B&E
09. Guilty of Everything

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:: Assista abaixo ao vídeo de “Dig”:

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