CRÍTICA | Eu Me Importo (I Care a Lot, 2020)


 


‘Eu me Importo’ tem ótimas atuações, funciona bem apesar das irregularidades

Mistura de Thriller e Humor Negro, “Eu Me Importo” (I Care a Lot, 2020), escrito e dirigido por J Blakeson (O Desaparecimento de Alice Creed e A 5ª Onda), apresenta trama que pretende provocar o espectador ao ponto de incomodá-lo, tirando-o da “zona de conforto” e quase obrigando-o a se posicionar.

A história gira em torno da jovem e ambiciosa cuidadora profissional Marla Grayson (Rosamund Pike), que já no início do filme, com narração em off, deixa bem evidente a maneira como enxerga o mundo, dividido entre predadores e presas, leões e cordeiros.

Definindo-se como uma leoa e levando adiante sua concepção de que vale tudo para se alcançar o que deseja, Marla praticamente sequestra idosos de suas vidas e até famílias, colocando-os em asilos de acordo com o poder aquisitivo de cada um, contando com a ajuda de uma rede de colcolaboradores e um juiz inepto para sua função, ao tempo que toma possse dos bens e finanças do curatelado, administrando-as ao seu bel prazer.

Com uma boa quantidade de clientes que lhe “permite” gozar de uma vida de relativo luxo, Marla encontra o que define como “a cereja”, uma idosa milionária e sem parpares, Jennifer Peterson (Dianne Wiest), no que tudo indica ser o golpe perfeito. Mas há um porém, que surge no personagem de Peter Dinklage ( o eterno Tyrion de Game of Thrones) que adicionará um misto de comédia e tragédia ao filme. Por sinal, a própria escolha do ator para representar o personagem busca alcançar esse efeito.

Todo o tabuleiro sobre o qual se desenvolverá o plot principal de “Eu Me Importo” é montado ao longo dos primeiros trinta minutos do filme com uma edição que privilegia as tomadas rápidas e um ritmo dinâmico.

Ao tempo que vai envolvendo o espectador e buscando criar uma crescente sensação de antipatia com a protagonista, que tem na excelente interpretação de Pike um dos pontos altos do filme, algo que ela já havia mostrado em “Garota Exemplar” (Gone Girl, 2014). Por sinal, a opção do filme é totalmente centrada na personagem priprincipal, ainda que em nenhum momento explore os aspectos da sua personalidade, apenas deixando aberto à leitura do espectador.

Com desnecessários 118 minutos de duração, “Eu Me Importo” é um filme que tem em seu primeiro ato um ritmo e atração incríveis, desacelerando e entrando numa quase monotonia no ato seguinte, ao resvalar em exageros e apelando para situações desnecessárias e forçadas que quase põem por terra o que conseguiu construir no início.

E ainda que o ato final apresente uma solução que pode parecer simplista e satisfaz ao desejo de muitos, traz embutido uma série de significados: ambição, ética, escolhas, inversão de papéis, causa e consequência, ao tempo que questiona ao espectador.

A despeito das irregularidades, é um bom filme, com uma direção segura, diálogos às vezes surreais mas que que evitam os clichês, além de atuações consistentes do trio de protagonistas.


Eu Me Importo Cartaz

FICHA TÉCNICA:

Título Original | Ano: I Care a Lot | 2020
Gênero: Comédia, Thriller, Crime
País: EUA
Duração: 1h58min
Direção: J Blakeson
Roteiro:J Blakeson
Elenco: Rosamund Pike, Peter Dinklage, Dianne Wiest, Eiza González, Chris Messina e outros.
Data de Lançamento: 19 de fevereiro de 2021 (Brasil)
Censura: 16 anos
Avaliações: IMDB | Rotten Tomatoes

 

 


O TRAILER:

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