SWING THE HEARTACHE: THE BBC SESSIONS | Bauhaus (1989)


Foto banda Bauhaus

Esse era o vinil que toda vez que eu pegava para ouvir lembrava do que deixei de fazer para comprá-lo.

Ele apareceu lá na Muzak (loja de discos cult da cidade, já comentada em seções anteriores) numa época pré-Micareta (a Micareta é o Carnaval aqui da cidade, só que no mês de abril/maio). Nessa mesma época, para fugir da festa, estava planejando com alguns amigos para viajar e passar o feriado em Paramanas, acampando.

Para mim, os planos para a viagem foram por água abaixo quando dias antes vi o álbum lá perdido na prateleira, esperando alguém para levá-lo para casa. Depois da audição, não deu outra: a viajem simplesmente sumiu de meus pensamentos, eu queria aquele disco duplo, e por isso mais caro. Eu comprei o disco, mesmo sabendo que praticamente estava dando adeus à viagem, porque embora ainda fosse ficar com alguma grana, não seria suficiente para viajar. E aquela era uma época de dureza mesmo. Comprar um disco significava sempre abrir mão de algo, e um disco duplo mais ainda.

A viagem foi pro espaço mesmo! O Swing The Heartache foi pra casa.

CApa do álbum Swing the Heartache, do Bauhaus

Apesar da insistência dos amados amigos, acabei não indo, fiquei sozinho na cidade, na Micareta daquele ano. Sozinho não, com o Swing the Heartache na vitrola e embalando os meus dias tristes. O pior, todas as sensações que o disco me transmitia na época eram de tristeza mesmo, o que me causou certo arrependimento, ou melhor, certo incômodo.

Depois que os amigos voltaram e contaram as desventuras pelas quais passaram, me senti de certa forma aliviado, afinal a viagem não foi exatamente o esperado. Não deixou de ser uma experiência interessante pra ser contada ao longo dos anos e  provocar gargalhadas, o que acontece até hoje.

Sobre a bolacha (ou as bolachas), ela é composta por dezoito canções tiradas de sessões de gravações para programas de rádios na BBC. Traz algumas versões melhores até que as que saíram nos álbuns, caso de “Terror Couple Kill Colonel”, “A God In An Alcove” e “Swing The Heartache”; além de covers de de ídolos da banda: Bowie (Ziggy Stardust), Brian Eno (Third Uncle), T-Rex (Telegram Sam); e um que não foi lançado oficialmente. “Night Time”, da obscura banda de garagem The Strangeloves; e faixas inéditas: “Poison Pen”, “Departure” e “Party Of The First Part”.

Dentre as canções do álbum que mais marcaram foram justamente as que nunca tinha ouvido, principalmente “Party Of The First Part”, que tem na introdução um longo diálogo retirado de um filme e “Poison Pen” com uma levada percussiva absurda, algo que nunca tinha visto antes na música do quarteto.

Por terem sido gravadas ao vivo, algumas faixas possuem uma aura menos soturna do que as versões originais, com a banda soando mais garageira.

Na época que o comprei não possuía nada da banda em disco, apenas um K7 original do Mask (1981) (se não me engano) e uma gravação da coletânea “1979-1983”, que também é uma excelente introdução ao universo musical da banda.

Inevitável ouvir essas canções hoje e não ser transportado para aquele pré-Micareta de algum ano perdido da década de 90.


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