BURNING HEARTS – Battlefields (2017)


“Duo com referências musicais que sempre pegou emprestado, mas com tratamento mais maduro e refinado”

Muitas foram as bandas que retornaram em 2017 depois de um longo hiato com um disco amadurecido e consistente, Fleet Foxes e My Sad Captains são dois exemplos. O mesmo vale para o duo do Burning Hearts que desde 2012, com ‘Extinctions’, não produzia álbum novo. Os finlandeses Jessika Rapo e Henry Ojala, com apenas três discos lançados, também possuem uma história longa e ainda não receberam, talvez, um crédito ou reconhecimento maior.

Desde 2005 compondo, a dupla só apareceu em 2009 com o surpreendente début ‘Aboa Sleeping’. Para o duo, antes da formação, pesava a experiência que eles tinham na bagagem: Jessika foi vocalista da banda Le Futur Pompiste, enquanto Ojala era baterista do Cats On Fire (ambas finlandesas).

A vocalista Jessika nos remete a grandes bandas que tinham como carro-chefe vocais femininos: Stereolab (‘Folie à Deux’), ABBA (‘Work Of Art’) e Ladytron (‘Bodies As Battlefields’). Essa última, inclusive, com uma linha de baixo e uma batida tomadas emprestadas de alguma canção do New Order.

Nos dois primeiros trabalhos as referências 80’s/90’s eram bem explícitas na sonoridade, em ‘Battlefields’ torna-se pulsante e muito mais ampliadas. Tal fato agrega pontos positivos para a dupla e é um aprendizado obrigatório para o refino e maturidade que o duo vem adquirindo.

A sonoridade do Burning Hearts não segue um caminho de originalidade, como 90% do que ouvimos atualmente. Entretanto, a fórmula que o duo utiliza não cansa, convence e traz uma mistura inteligente, consegue capturar momentos e grandes nomes da música internacional.

Em momentos menos dançantes, o lugar para o lirismo não ficou esquecido. ‘In My Garden’ tem uma melodia que casa perfeitamente com a poesia desfiada por Jessika. Burning Hearts se inspira fortemente nos 80’s/90’s, carrega sua sonoridade de Synth-pop e New Wave Revival, mas não faz disso a linearidade total do disco, entrega canções que podem ter um pouco do dream-pop (‘Atacama’ e sua guitarra dedilhada memorável) e até mesmo que fazem um passeio pelo reggae (‘Ticket’).

Por incrível que pareça, ao contrário de alguns grupos que exageram em seus álbuns, podemos considerar que o disco ficou pequeno (trinta e dois minutos), a dupla poderia ter encaixado mais algumas canções. A ligeira ‘Atacama Revisited’ entrega um final precoce e o ouvinte nem percebe que o álbum está terminando.

O álbum foi produzido por Tomas Bodén, que já trabalhou com os suecos do The Radio Dept. “Battlefields” coloca o Burning Hearts como um dos nomes musicais mais importantes da Finlândia, confere maturidade à dupla, criando assim espaços para outros discos interessantes no futuro. Mesmo sem o estardalhaço e o burburinho que poderiam receber, a dupla ganha confiança e lembra que música é assim: conquista o ouvinte por etapas.

NOTA: 8,0

:: FAIXAS:
01 – Atacama
02 – Folie à deux
03 – Work of Art
04 – Chaos and Drama
05 – Bodies as Battlefields
06 – In My Garden
07 – Ticket
08 – Did You Want to Save Me?
09 – Atacama Revisited

:: OUTRAS INFORMAÇÕES:
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:: Ouça abaixo ‘Folie A Deux’:

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