ARCADE FIRE – The Suburbs (2010)


Quem acompanha esse blog já há algum tempo sabe o quão impessoal tenho procurado ser em minhas resenhas, para o bem ou para o mau isso não acontecerá nesse texto. Antes de mais nada, tenho ouvido “The Suburbs” desde alguns dias após o seu “vazamento oficial”, não de forma ininterrupta, claro, e passado já algum tempo desde que a bolacha deu as caras no mundo e nos meus tocadores de MP3, ele continua soando bem, sempre com a descoberta de elementos que passaram desapercebidos de início.

Confesso que há tempos que essa resenha estava planejada, inclusive muito à frente de outras resenhas minhas que já foram publicadas aqui, mas o diacho é que não conseguia começá-la, não por não ter o que dizer do álbum, mas por um bloqueio estúpido (que permanece!) que talvez aconteça com quem escreve resenhas, ou talvez apenas em pessoas como eu, sem formação jornalística, mas que por amor à música e por gostar de escrever se mete a manter um blog e falar das coisas que chamam a atenção, seja pelo seu lado interessante/intrigante ou pelo seu contrário.

“The Suburbs” desde o início soou como o álbum mais acessível do Arcade Fire, mesmo com suas dezesseis faixas e mais de uma hora de duração. O fio de tensão que permeava ‘Neon Bible’ e o lado apoteótico e ao mesmo tempo funesto de ‘Funeral’ dá lugar a dinâmicas mais (como diria um amigo) soltas (diretas), ou seja, seguem um padrão (por que não dizer?) mais convencional. Claro que esse modo convencional de ser do Arcade Fire agrega muito mais elementos do que se possa pensar em relação ao que seria convencional em uma típica banda de rock. Em alguma outra resenha pretérita já havia comentado sobre isso, que ao trabalhar com uma gama maior de instrumentos, as possibilidades são muito maiores, o que não quer dizer que a equação sempre feche, há que se ter o ‘feeeling’, e isso Win Butler e seus companheiros possuem de sobra. Prova disso é que não decepcionam em seu terceiro álbum, o que tem acontecido com a maioria das bandas atuais.

“The Suburbs” soa como se eles tivessem estendido a linha que guia ‘Keep The Car Running’ (canção do álbum anterior), ao tempo que as letras de Win rememoram sua infância de desventuras vivendo num subúrbio.

Por conta disso é que o recomendei a um amigo, que delicadamente me disse que o “Arcade Fire é banda pra críticos”. Já tinha ouvido essa frase antes, há alguns anos atrás, não me lembro se referindo a qual banda (talvez minha mente venha a se recordar depois). Na verdade, uma frase feita que no fundo no fundo não quer dizer nada, ou queira dizer o seguinte: uma banda que os críticos disseram que é boa e as pessoas compraram a opinião. Ou seria banda para críticos por não seguirem os padrões típicos de uma banda de rock? Sinceramente não sei! Talvez essa seja uma desculpa que pessoas presas ao passado geralmente usam ou quando querem atacar uma banda e não possuem argumentos.

Mas confesso que a culpa foi minha por querer mostrar que há bandas fazendo coisas interessantes, diferente do que esse meu amigo acha, e citei esse álbum do Arcade Fire. A culpa foi minha por querer compartilhar algo que não poderia deixar passar desapercebido nesse ano de 2010. A culpa foi minha por ter sido afetado por um dos melhores álbuns do ano de uma forma que nem uma resenha nos moldes antigos consegui fazer.

Mas vocês me entendem…ou não?

PS: Vivemos uma época em que tudo está disponível na internet: você baixa, ouve e tira suas conclusões. Diferente de antigamente, quando primeiro tínhamos a opinião dos críticos (numa Bizz, por exemplo), para só depois ouvir o álbum, isso quando se tinha a felicidade de conseguir. Então, acho que os críticos estão numa “berlinda”, correndo para não ficarem para trás, já que os blogs hoje em dia são bem eficazes e alguns com textos de qualidade. Ou seja, o poder de antes foi reduzido quase por completo e os críticos perderam o seu “pedestal”, a informação é mais acessível que nunca.

NOTA: 8,5

FAIXAS:
01 “The Suburbs“
02 “Ready To Start“
03 “Modern Man”
04 “Rococo“
05 “Empty Room“
06 “City With No Children”
07 “Half Light I”
08 “Half Light II (No Celebration)”
09 “Suburban War”
10 “Month Of May“
11 “Wasted Hours”
12 “Deep Blue”
13 “We Used To Wait“
14 “Sprawl I (Flatland)”
15 “Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)”
16 “The Suburbs (Continued)”

:: Assista ao videoclip de “The Suburbs”:

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