CRÍTICA | In Venus – Sintoma


Foto da banda In Venus

Entre Ruínas (2017) e Sintoma, novo trabalho da banda In Venus, algumas novidades: saída da baterista Camila Ribeiro (substituída por Duda Jiu), todas as faixas são cantadas em português e a sonoridade, que às vezes enveredava por um lado mais atmosférico do Pós-Punk, surge agora com uma pegada muito mais urgente, muito mais anárquica, se aproximando do lado mais visceral do Punk.

É como se o grupo fizesse o caminho inverso do que é comum: voltando do Pós-Punk para o Punk. E isso não se dá tanto na forma, mas no resultado final das canções, que tem também na produção e mixagem (a cargo de Mari Crestani e Malka Julieta, respectivamente) os responsáveis por essa transição ao enfatizarem determinados elementos, principalmente os vocais de Cint Murphy , que surgem à frente de tudo e ao lado dos riffs incessantes de guitarra de Rodrigo Lima, num trabalho bastante rico de timbres e ritmos.

Acabamos por encontrar paralelos diversos com Cadê as Armas, da banda oitentista Mercenárias, tanto musical quanto liricamente.

Com letras em geral diretas, às vezes mais poéticas e existenciais, a banda constrói e esparge um discurso que envereda por temas politizados. In Venus não dá descanso ao longo das dez faixas, conduzindo por uma avenida repleta de setas que apontam para problemas que seguem assolando a sociedade e que só recrudescem, um desequilíbrio social que também desequilibra o ser.

Dessa forma, temas que miram a religião, os políticos, o absurdo da fome que persiste assolando o mundo e também aqui, a inércia e o anestesiamento das pessoas, a pressão pelo sucesso, a hipocrisia, estão presentes nos versos de Sintoma, que fala ainda sobre ansiedade e ancestralidade, e cujo título se revela mais que oportuno, apropriado.

A conclusão pode ser resumida no verso de “Ninguém se Importa”: “Tá tudo uma merda, e não é só pra mim, é pra mim e pra você”.

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MERCENÁRIAS – Cadê as Armas

 


O ÁLBUM:

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