10 PERGUNTAS PARA EARLY MORNING SKY


Foto da banda Early Mornig Sky ao vivo

Reza a lenda que a ideia inicial para a formação do Joy Division surgiu após um show dos Sex Pistols em Manchester. A banda paulista (de Guarulhos) Early Morning Sky teve caminho semelhante, conforme relatam, vindo a ser formada após conversas sobre o show do Slowdive no Brasil. Se o show do Slowdive foi o ponto de convergência, a paixão pelo barulho fez a banda seguir adiante nesse universo que é um dos mais alternativos dos alternativos, o de ácidas guitarras distorcidas e vocais indolentes.

“Guitar Band”! é como definem seu som. Um termo meio esquecido por aqui atualmente, mas bastante em voga lá no início dos anos 90 para definir bandas que levavam o uso das distorções a lugares não muito usuais, herança de Velvet Underground e presente numa lista que obrigatoriamente passa por nomes como Sonic Youth, Wedding Present, My Bloody Valentine, por exemplo, e que chegava a incluir R.E.M. e Pixies.

Formada em 2017, a Early Mornig Sky debutou com uma versão  noise-pop /lo-fi para “Femme Fatale”, do Velvet Underground, que entrou numa coletânea do Blog Cansei do Mainstream, posteriormente lançada como single, que traz também uma versão para “Bell”, da banda noventista Swirlies.

2018 viu o lançamento do bonito EP de canções autorais “If I See You Again” (Midsummer Madness), onde  explicitam a adoração pelo lado mais ensurdecedor das guitarras, enquanto versam sobre “problemas do cotidiano e as crises existenciais”, nas palavras deles, tema constante em suas canções.

Se você identificou um clima de nostalgia em torno da banda, seus instintos não lhe enganaram, ela está presente não apenas no que diz respeito ao visual da capa do EP, do termo “guitar bands”, da paixão mídia física, coleção de cd’s ou vinil, é algo que parece inerente ao atualmente trio: Gerson Alves (Voz, Guitarra e Synths), Xixo Sere (Baixo) e Mauro Terra (Bateria), que falou um pouco a respeito disso e de muito mais.


01. Vocês lançaram o EP “If I See You Again” (capa belíssima, por sinal) em mídia física numa época em que muitas pessoas usam mais os serviços de streaming. Lançar um trabalho nesse formato ainda é interessante para uma banda alternativa?
R: Sim, este ainda é um formato que curtimos muito. É uma forma de termos nosso trabalho distribuído em lojas físicas, lojas virtuais e ainda com vendas durante nossas apresentações ao vivo.

Ter um disco na mão, folear um encarte, ouvir em seu carro ou na sala com amigos tem um encanto, as pessoas que gostam desse formato muitas vezes possuem acervos com centenas de unidades e termos o trabalho neste formato nos faz sermos parte dessa história pessoal.

02. O que acha dos serviços de streaming de música a partir da visão como músico e como ouvinte?
R: Adoramos! A possibilidade de ouvir músicas novas o todo tempo, de divulgar um trabalho a pessoas que seriam impossíveis de alcançar sem esta inovação.

Os serviços Streaming realmente são fantásticos, muito inovativo e um meio para conhecermos novas canções e divulgarmos nosso trabalho.

03. Por que a escolha do selo Midsummer Madness e como foi o processo de divulgação do EP?
R: O Midsummer Madness é um selo do coração. Tem um catálogo lindo e esta sempre em busca de novidades no cenário musical. Temos grande orgulho de fazer parte dessa história.

O processo de divulgação aconteceu de forma espontânea. Grande parte das resenhas foram feitas a partir de pessoas que ouviram o EP. Tivemos resenhas muito queridas com o lançamento de “If I See You Again” e o apoio de pessoa que conhecemos por conta da nossa música, que conhecem muito de música alternativa, o que nos deixou muito agradecidos.

04. EMS no cenário musical nacional, como você enxerga? Alguma banda nacional que pode ser considerada irmã da EMS, musicalmente falando?
R: Nos enxergamos como uma banda do cenário alternativo por escolha e fazendo parte de um cena muito pequena de bandas barulhentas. A ideia sempre foi fazer canções que nos agradassem mesmo que com isso o publico fosse menor. Talvez o formato “DIY” nos aproxime da Firefriend e o “Noise” da Loomer.

Single Femme Fatale

05. Como define a música da EMS? E com qual filme ela se parece ou serviria como uma boa trilha sonora?
R: Guitar Band! Sempre que respondemos isso tiramos um sorriso de alguém. Era assim que se chamava nos 90’s uma banda de guitarras barulhentas.

Em meio as melodias e acordes que muitas vezes foram inventados para parecer estranho, existe sempre um caos, algo sempre perturbando os ouvidos que insiste em incomodar ou a continuar fazer ouvir.

A canção “If I See You Again” tem uma grande introdução do dialogo de “Vivre Sa Vie” do Godard chamada “Cafe Scene”. O EP tem uma base enorme neste filme.

06. Além  de música, quais tipo de artes inspiram a musica da EMS?
R: Temos grande inspiração nas artes visuais abstratas, fotografia e cinema. A musica é algo complexo e sempre esta relacionada e interligada com outras formas de arte.

07. O retorno a ativa de bandas como My Bloody Valentine, Slowdive, Ride, de alguma forma, ajuda bandas como a EMS?
R: O Early Morning Sky surgiu em uma conversa de amigos durante o show do Slowdive em SP.  Estas e outras bandas são sempre uma inspiração para se criar arte.

08. O que você acha da frase na nota de despedida, do blog Primal Music Blog, especializado em noise-pop em suas diversas formas (dreampop, shoegaze, etc): “esta cena musical tem sido inacreditavelmente impressionante, teimosamente inconstante e terrivelmente egoísta”.
R: Verdadeira. Fala um pouco da natureza humana e suas crises existenciais.

09. Dentre as varias dificuldades enfrentadas pelas bandas independentes, muitos citam a ausência ou reduzida presença do publico em shows, a não aquisição de material de merch (disco, camiseta, adesivo, etc). Como driblar isso?
R: Ser independente muitas vezes esta relacionado a menor publico e pouca possibilidades de alcance as pessoas, muitas vezes é uma escolha da banda. Uma boa forma de divulgação é disponibilizar o material online (Bandcamp, Facebook ou Loja Virtual) e Lojas físicas especializadas em música Alternativa.

10. O que se pode esperar do novo EP que está por vir? O que poderia adiantar?
R: O novo EP será um pouco diferente de “If I See You Again”, por conta de novos experimentações e outros instrumentos adicionados as canções, teremos componentes novos, outras camadas sonoras e grande variações entre as canções.

Espere por mais barulho por vir. Estamos em processo de finalização e sairá já no começo da segunda metade do ano.


:: Discografia/Compilações:
– What You Mean To Me (A 300 KM por Hora – Um Tributo aos Autoramas, 2019)
– If I See You Again EP (2018)
– If I See You Again (Fuzzy Feelings Collection, Coletânea do selo/blog TBTCI, 2018)
– Femme Fatale (VU)/ Bell (Swirlies) Single (2018)
– Femme Fatale (Compilação Verão do Amor, Blog Cansei do Mainstream, 2017)


:: Mais sobre a banda: Facebook | Bandcamp


:: Ouça”If I See You Again”:

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1 COMENTÁRIO

  1. Ângelo Fernandes
    Ângelo Fernandes
    22/05/2019
    Responder

    Mais uma entrevista bacana… Já é uma das minhas seções preferidas do site. Parabéns mais uma vez.

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