POST WAR GLAMOUR GIRLS – Swan Songs (2017)


“Presente, passado e futuro coexistem simultaneamente no novo álbum do quarteto de Leeds”

Post War Glamour Girls é uma banda de Leeds (UK) e ‘Swan Songs’ é seu terceiro álbum num período de pouco menos de quatro anos. Em2014 lançaram o surpreendente ‘Pink Fur’, ‘Feeling Strange’ em 2015, dois bons álbuns que podem agradar tanto fãs de música pós-punk “old school” quanto aos chegados às releituras feitas por bandas contemporâneas.

Apesar disso, parcas são as informações a respeito do quarteto. Faça lá uma busca no Wikipedia e sinta-se entre frustrado e abismado em não encontrar qualquer informação a respeito deles. No máximo uma referência ao seu nome, retirado do título de um poema de John Cooper Clarke, detalhe largamente conhecido pelos mais chegados.

Para a gravação de ‘Swan Songs’ resolveram experimentar, isolaram-se num estúdio localizado num local remoto da Escócia, mantendo-se afastado de tudo que pudesse tirar o foco do processo de composição/gravação, conforme palavras da própria banda.

Gravado em apenas duas semanas, ‘Swan Songs’ pode ser resumido como uma incursão refrescante pelo universo musical do PWGG sem grande distanciamento de seu passado.

Novas canções, novos arranjos, mas com raízes mantidas: o lado teatral das interpretações vocais, as guitarras de timbres banhados em reverb e o baixo buscando se aparecer mais que tudo. Mas é a voz grave de James Smith que dá o tom da música do grupo. As subidas e descidas vocais de Smith, às vezes quase ensandecendo, são acompanhadas por um instrumental que pode descambar para avalanches sonoras, como na longa “Divine Decline”, faixa que fecha o álbum, ou momentos mais tranquilos e melódicos como em ‘Golden Time’ (recheada com um cortante arranjo de cordas) e ‘Sea of Rains’.

Quem tem obsessão por analisar a forma como as bandas distribuem as canções pelo álbum, dirá que aqui a banda pecou grandemente em começar com a poderosa ‘Guiding Light’ já no e na sequência emendar “Chipper” (bons resquícios de Pixies) outra canção mais “pesada”, levando a falsas suposições de que o álbum tomaria um caminho mais pesado, pois a sequência é de canções mais soturnas como a bela “Gull Rips a Worm to Rags”, com lembranças evidentes de Nick Cave.

Dentre as canções que apontam a música do PWGG para um direção que pode ser seguida em álbuns futuros, com riffs intensos de guitarra e baixão contundente, há “Pollyanna Cowgirl” e “Welfare by Prozac”. Embora quaisquer caminhos se mostrem possíveis para o quarteto, vez que são daquelas bandas inquietas que não parecem se contentar com a linearidade, ainda que esse seja seu disco mais linear, por contraditório que pareça.

Abaixo, o clip de “Organ Donor”, faixa curtinha e que foi a primeira a dar um aperitivo do que seria “Swan Songs”. Segundo James Smith, a letra é inspirada no experimento científico de Milgram, sobre o comportamento das pessoas em obedecer autoridades.

NOTA: 7,8

FAIXAS:

01.Guiding Light
02.Chipper
03.Gull Rips A Worm To Rags
04.Organ Donor
05.Big Trip
06.Pollyanna Cowgirl
07.Golden Time
08.Sea Of Rains
09.Welfare By Prozac
10.Divine Decline

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