Conheça Dry Cleaning e sua vocalista de estilo incomum


Dry Cleaning Band

Qual a importância da voz na música? Alguns dirão que ela é tudo. Outros acrescentarão que não gostam de música instrumental. Outros tantos dirão que a música sem voz não tem alma, não tem emoção.

O que dizer da voz impassível (quase blasé) de Florence Shaw na música do quarteto londrino Dry Cleaning, novos “darlings” da mídia musical?

Situando: Dry Cleaning foi formado em 2019; lançou os EP’s Sweet Princess (que traz a ótima “Magic of Meghan”) e Boundary Road Snacks and Drinks; assinou com a 4AD após serem vistos por uma representante da gravadora; e lançaram recentemente ‘New Long Leg’, álbum de estreia que tem causado (com motivos) grande burburinho mundo afora, com destaque para o estilo de “cantar” da ex-professora de artes.

Isso porque, em verdade, Shaw não canta, mais parece recitar/ler suas letras recheadas de frase que soam totalmente non sense, e por momentos parecem auto-lembretes ou anotações dispersas sobre assuntos diversos, com momentos de humor, e sobre comida, assunto que já deu muito o que falar em entrevistas. “Braços fracos não podem abrir a porta, Cancelar o Kung Fu cancelar / Vai ficar tudo bem, eu só preciso ser estranha e me esconder um pouco e comer um sanduíche velho da minha bolsa” (Scratchard Lanyard); “Não chore, apenas dirija / Boa sorte, banda / O que você tem feito?… Gordo rechonchudo / Sem maquiagem / Senhora pouco inteligente” (Unsmart Lady).

Destacar-se num universo imenso de bandas não é fácil, o Dry Cleaning tem ao seu favor o estilo vocal de Shaw, que entra num contraste de quase colisão com a música do grupo. Essa maneira propositadamente distante de ir desfilando seus versos às vezes lembra o estilo Kim Gordon – lembre-se de “Tunic (Song For Karen)”, do álbum ‘Goo’.

A vocalista foi convencida pelo amigo, guitarrista e também professor Thomas Dowse a se juntar ao seu projeto musical de fim de semana que ele mantinha com outros dois amigos músicos, o Dry Cleaning. Entre aceitações e desistências, a vacilante professora acabou ficando no posto.

É impossível não imaginar a cena: enquanto tudo se desmorona a vocalista lixa as unhas ou examina as mensagens em seu celular ou… preencha você mesmo. A sensação é essa, como se música e voz estivessem dissociadas, caminhando juntas mas cada um seguindo por um caminho diferente e é isso que torna a música do grupo atraente, mas não apenas isso.

Musicalmente o trio de músicos tece tramas diversas que tanto enfatizam as frequências mais graves do baixo, com linhas empolgantes, quanto destacam o trabalho de timbres de guitarra, que varia entre riffs cheios de reverb, fraseados e dissonâncias. “Scratchard Lanyard” e “Unsmart Lady”, dois dos singles de “New Long Leg” e “Her Hippo” são ótimas introdução ao universo do grupo, que surge com um refinamento maior, cortesia da produção de John Parish, muito conhecido pela parceria com PJ Harvey.

Alguns encontrarão Pixies na música do grupo, outros PJ Harvey, outros Sonic Youth e Pós-Punk. Um pouco disso tudo e nada precisamente conclusivo, e esse é um dos lados excitantes da música do Dry Cleaning.

LOGO ABAIXO TEM UMA IMPERDÍVEL APRESENTAÇÃO/ENTREVISTA DO GRUPO NA KEXP.

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O ÁLBUM:


Dry Cleaning ao vivo na KEXP:

 

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