‘Black Summer’ e a maldade humana na luta pela sobrevivência em mundo pós-apocalíptico


Black Summer, imagem da série

A dor de não estar próximo de um ente querido seja pela separação, distância ou morte. O medo do desconhecido. Não ter segurança em nenhum lugar. Não poder se esconder por tanto tempo. A sobrevivência ao limite. Os recursos vitais se esgotando. O perigo rondando a cada esquina. O pós-apocalíptico obscurecendo o coração humano. Tudo o que foi citado faz parte dos oito episódios de Black Summer, série norte-americana da Netflix que é um spin-off (derivação) de Z Nation e é ambientada alguns meses após as primeiras infestações.

A série começa sem muitas explicações. A epidemia continua se alastrando pela cidade. Mortos voltam a vida numa fúria incontrolável, enquanto sobreviventes correm atônitos a busca de refúgio. O exército monta comboios podendo levar quem não está possivelmente contaminado. Os personagens vão surgindo, superando suas dificuldades e deixando para trás quem foi contaminado. Aqui ninguém é principal. A trama vai pedir que o espectador não se sinta tão atraído por algum personagem, até mesmo porque ele não pode sair vivo ao final do episódio. Acostume-se a isso. Tudo muito rápido em não mais que 10 minutos e a dimensão do caos se instaura nas telas, isso logo no primeiro episódio.

Fugindo das hordas de zumbis frequentemente vistas em produções desse gênero (a exceção de 2 episódios), Black Summer preza pela aparição de poucos infectados na tela e um cenário predominantemente suburbano. De qualquer forma, a tensão não desaparece. O foco é buscar o suspense em cenários desolados e caóticos entre não infectados e infectados. Num dos episódios, um dos personagens foge de um único zumbi que o persegue incessantemente. Tetos de ônibus, prateleiras de supermercados e residências desertas podem servir de efêmeros esconderijos para os sobreviventes. Muitas vezes sem arma e sem opção de fuga, a sobrevivência testa o limite de alguns personagens.

Outra característica do seriado é dividir os episódios em pequenos trechos, como se fossem mini capítulos intitulados. Tais fragmentos narrativos funcionam dentro dos episódios para dar maior ênfase a uma cena específica. Muitas vezes falando da natureza humana ou de algum objeto que será importante para a trama, a ideia é interessante para render maior suspense ou para dar pistas de alguma passagem importante.

Porém, os perigos não chegam apenas com os contaminados. Alguns sobreviventes representam o mesmo risco. Saqueadores, egoístas e aproveitadores observam cada pessoa que ainda não foi infectada. O carro que tem combustível e a arma com munição não só representam uma salvação momentânea para quem os possui como também pode ocasionar revolta para quem os deseja.

A trama separa os personagens em grupos. Cada qual passando sua adversidade para manter-se vivo. Muitas cenas se encaixam gradativamente para contar como cada um se conhece ou se aproxima do outro. Muitos com a finalidade de reaver a família separada. Não se importando muito em contar o passado de seus personagens, o seriado se preocupar mais em mostrar o pós-epidemia e quer colocar todos os personagens num mesmo nível, não importa o quão tenebroso seja o passado de cada personagem.

A série peca por trazer ação exagerada e um tanto quanto bagunçada nos dois últimos episódios, e nem precisava tanto disso. Parece querer fechar a temporada de uma forma forçada e rápida (talvez um dos únicos pontos fracos). Mesmo com nada de novo e muito do próprio gênero reciclado, apesar de uma ideia interessante aqui e ali, Black Summer mantém os oito episódios funcionando e ainda se garante com a segunda temporada (já confirmada pela própria Netflix).

Uma coisa é certa de se afirmar: mesmo dentro de uma temática um tanto quanto batida, a série continua no rol das produções que nos fazem refletir colocando o ser humano diante de possibilidades não tão difíceis de acontecer. O homem diante do caos, do desconhecido e da incerteza de ficar vivo perante a fragilidade das autoridades que não sabem lidar com o problema ou mesmo perante os malefícios que a própria índole humana é capaz de oferecer. ASSISTA

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Black Summer - Poster da série

FICHA TÉCNICA:

Título Original | Ano: Black Summer | 2019
Gênero: Ficção Pós-apocalíptica, Drama, Ação
País: EUA
Episódios | Duração: 8 (com duração entre 20 a 45 minutos)
Direção: John Hyams e Abram Cox
Roteiro: Jodi Binstock, Craig Engler, Steve Graham, John Hyams, Delondra Mesa, D.S. Schaefer, Karl Schaefer, Abram Cox
Elenco: Jaime King, Justin Chu Cary, Christine Lee, Sal Velez Jr., Kelsey Flower, Erika Hau, Mustafa Alabssi e outros
Data de Lançamento: 11 de abril de 2019
Censura: 16 anos
Avaliações: IMDBRotten Tomatoes

 


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