Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls, 2016)


“Filme traz vários recursos (fotografia, efeitos, roteiro) em sintonia com uma narrativa carregada na tristeza que mesmo assim não cansa o espectador em mais um dos belos momentos do cinema”.

O cinema pode mostrar a dura realidade de diversas formas, dentro de variados gêneros. Usa metáforas, simbolismos, flashbacks, finais inesperados. Faz-se valer de sua fotografia, de seu figurino, do elenco (o humano em cena), da cena memorável, dos efeitos que a modernidade proporcionou. Junto a um roteiro eficaz, pode se manifestar na emoção de cada ser vivente do planeta. E assim se conta uma história que pode te alcançar, quem sabe, porque você vivenciou aquela experiência em algum momento de sua vida. Ou então, tudo é apenas catarse, aquilo te ludibria em tom de fantasia ou mesmo num conto de fadas moderno.

‘Sete Minutos Depois da Meia-Noite’ tem um pouco do que disse acima. Se fosse conceituar cinema ou então fosse fazer uma redação escolar sobre o que é cinema, teria usado das palavras do primeiro parágrafo. Mas, desde a bela capa (felizmente, aqui você pode julgar o livro pela capa) passando até pela escolha correta do elenco, tudo funciona em prol do bom cinema no filme de Juan Antonio Bayona. Entretanto, a película ainda guarda seus trunfos: ser um misto de drama e fantasia sem pesar demais para qualquer lado, apesar do tom triste ao extremo que a trama pode carregar. A técnica também de dar vida às histórias paralelas ao filme usando aquarela, contadas pelo monstro, é exuberante e foge do lugar-comum caso você já tenha visto com uma trama semelhante (e com certeza viu).

Como tudo no cinema carrega sua mensagem, aqui não é diferente. Nos minutos iniciais do filme, a mãe de Connor diz: ‘as pessoas não gostam daquilo que não entendem’. Espere por diálogos fortes e muitas mensagens, sobretudo nas histórias paralelas contadas pelo monstro. O filme trata de forma agradável e transigente temas como amadurecimento, os estereótipos errados que por vezes criamos, a dificuldade que é perder as pessoas que amamos em vida, família, coragem e fé. Em meio a um mundo que não o compreende, o garoto Connor (ótima atuação de Lewis MacDougall) precisa cuidar de seu lar e tomar conta de sua mãe que está com câncer. Neste ponto podemos aguardar cenas tocantes entre mãe e filho. Talvez a parte do bullying na escola tenha ficado um pouco desfocada para a trama e até desnecessária, entretanto não tira o brilho do que veremos em 108 minutos.

O longa não precisava nem recorrer a tantos efeitos especiais, porém na soma final o casamento foi perfeito para dar tensão à narrativa sombria e triste, apesar da exuberância das cenas que contemplamos. Ver tanto o chão se desmoronando aos pés de Connor como o ‘monstro’ se aproximando do garoto nos enche os olhos e garante um impacto maior para o fechamento da história. Falando em final, claro que essa é mais uma daquelas narrativas que deixam o espectador inquieto no desfecho, aquela vontade de debatermos com os bons amigos adoradores da sétima arte.

Nota: 8,5

Para maiores informações:
Filmow
Focus Features
IMDB
Rotten Tomatoes

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