O TERROR (THE TERROR, 2018)


“A sobrevivência humana, o psicológico levado ao extremo, a força da natureza e o medo diante o desconhecido”

Dois navios ingleses cruzando o Ártico em 1848. Mais de 170 tripulantes a bordo. A missão: encontrar uma passagem pela região que daria facilidade e agilidade ao comércio inglês. Entretanto, esses homens exploradores não sabiam o que encontrariam pela frente. Essa é a premissa de ‘The Terror’ que, logo no primeiro episódio, coloca o espectador tenso mostrando um dos passageiros passando mal, se debatendo de dor e soltando sangue pela boca. Claro que por ter Ridley Scott como um dos produtores da série nos coloca no dilema se estamos perto de uma trama parecida com ‘Aliens’ ou não.

Justamente alguns elementos surgem para potencializar as referências e semelhanças com o clássico filme de 1979: o clima de desolação, o inimigo desconhecido que espreita o momento certo de atacar, um lugar desolado e uma tripulação incauta tentando sobreviver. Aqui estamos no Século XIX, então, encontramos homens sem recursos tecnológicos e numa época onde doenças eram as principais causadoras dos óbitos: escorbuto, por exemplo. Isso acrescenta mais poderio de thriller psicológico e menos ação (sobretudo na primeira metade). O gelo e o inverno rigoroso, que passam a agir contra os dois navios (HMS Erebus e HMS Terror), contribuem para a aflição dos personagens.

O seriado pega o clima de outro grande clássico do cinema, ‘O Enigma do Outro Mundo’ (1982). É o que o espectador também pode pensar, devido ao clima de desconfiança e dúvida sobre o real perigo que circula a tripulação, além da possível ameaça de uma criatura misteriosa, sempre feroz e sanguinolenta à espreita, nos faz pensar no filme de John Carpenter. Enquanto filme de 1982 vai para o lado mais científico, a séria da AMC, por sua vez, trabalha a questão da sobrevivência e da índole humana ao se deparar com ambientes caóticos e extremos. A cada episódio isso cresce bastante, e o embate entre os personagens cria uma atmosfera densa. A possibilidade de uma terrível criatura vai aumentando, somando-se ao outro inimigo: o gelo extremo. Porém, a produção se preocupa em trazer uma tripulação abatida e que se dizima aos poucos pelas próprias condições a que chegaram (frio, falta de nutrientes, desolação).

Outros temas ficam em foco e seguram a narrativa. A força da natureza, a ambição humana que não mede esforços, o próprio ser humano que nunca consegue elaborar uma estratégia em comum acordo para controlar o caos.

Em meio a uma grande tripulação, cabe destacar aqueles que fazem a diferença desde o primeiro episódio. A começar pelos almirantes. A dualidade é bem visível: Crozier (Jared Harris) é aquele homem ciente dos perigos, com visão do que de ruim pode acontecer, e que desde o início tenta evitar o pior; John Franklin (Ciarán Hinds) é o homem religioso, otimista em demasia, e que não aceita segundas opiniões. Outro personagem importante na trama é Goodsir (Paul Ready). Sensato, um homem com talento para a medicina e ciência e que consegue apaziguar os ânimos dos tripulantes. É dele a descoberta que vai desencadear uma desordem maior entre a tripulação (não relatada aqui para não entregar spoilers). E o que dizer de Hicker (Adam Negaitis)? Misterioso, cínico, desobediente. Aquele personagem que se revela gradativamente na história.

(ATENÇÃO: ALGUNS POSSÍVEIS SPOILERS)

Acredito que a temporada possa ser dividida em duas partes: a primeira é a tripulação tentando encontrar alternativas, esperando resgate e querendo encontrar respostas para tudo; a segunda é quando medidas drásticas começam a ser tomadas e a tripulação precisa confrontar de vez o real problema que a atinge, é nesse momento também que o grupo passa a se dividir e a tensão aumenta de forma cruel. O pior chega de vez e nem a segurança interna do navio pode ajudar, uma vez que mantimentos e o socorro que poderiam chegar tornam-se raros. Nesta segunda parte, a sobrevivência humana chega ao seu limite e no depararmos com cenas pesadas/cruéis, inclusive por conta da morte de alguns tripulantes (algumas são bem emotivas).

Um dos pontos negativos da série é que não há muito roteiro para a longa vida da produção. São 10 episódios no tempo certo, caso se estendesse mais, o efeito seria de monotonia, de reviravoltas fúteis e cansaço para o espectador. Existem comentários pela internet da possibilidade de ocorrer uma segunda temporada, entretanto com novos personagens e em outro ambiente (o que já não atrai bastante e foge da criatividade, no meu ponto de vista e de muitos espectadores). De qualquer forma, ‘The Terror’ deve ser vista para quem gosta de narrativas que trazem a sobrevivência humana em xeque, retratam o medo perante o desconhecido e que carrega um pouco dos elementos do gênero terror como o gore e o sobrenatural.

:: NOTA: 7,0

:::

:: FICHA TÉCNICA:
Emissora (EUA): AMC
Temporadas: 1
Episódios/Tempo: 10 (média de 42 a 55 minutos)
Criador: David Kajganich (baseado no best-seller de Dan Simmons).
Produtores executivos: David Kajganich, Soo Hugh, Ridley Scott e outros
Elenco: Jared Harris, Tobias Menzies, Paul Ready, Nive Nielsen, Ciarán Hinds e outros
Temáticas: Thriller psicológico, Drama, Horror, Isolamento, Canibalismo
Censura: 18 anos
IMDB: The Terror
Rotten Tomatoes: The Terror

:::

:: Assista abaixo ao trailer:

Previous ENTREVISTA COM LOOMER
Next MORCHEEBA – Blaze Away (2018)

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *