BEACH HOUSE – 7 (2018)


“Dupla americana continua firme no seu dream-pop infalível e eficaz”

Um número para representar o mais novo trabalho de sua discografia. Artifício usado por algumas bandas. Public Image Ltd. com ‘9’ (1989), Pearl Jam no seu debute ‘Ten’ (1991) e Blur ao criar o magnífico ‘13’ (1999) são rápidos exemplos citáveis aqui. Tais números podem representar algo significativo para a banda que, no lugar de palavras, achou por adequado colocar algarismos (e vai saber o porquê da história por trás dessa escolha).

No caso do Beach House, o 7 que vem estampado na capa do álbum com imagens quebradas e estilhaçadas, não tem segredo. É o sétimo trabalho do duo. Poderia até chegar algum numerólogo e começar a dar lições de números e simbologias, de explicar que o 7 é carregado de mitologias, de tentar ligar o algarismo com a sorte e o futuro até. Que nada, ‘7’ é um disco que certifica a experiência da dupla e que só vem fortalecer a força do Beach House, que, digamos, há 10 anos com ‘Devotion’ (2008), começava a mexer com a estrutura do cenário musical e dava início a consolidação de um dos nomes mais importantes dentro da sonoridade dream-pop.

Os argumentos para o sucesso da dupla são inúmeros e sensatos. A voz hipnótica de Victoria LeGrand? As guitarras e sintetizadores que levam o ouvinte a outra dimensão? O etéreo? A capacidade de criar canções atemporais como ‘Gila’ (2008) e agora genialmente com ‘Lemon Glow’? Seria entrar numa lista, e listas são segmentadas em números. Prefiro não.

Com todos os elementos que tem em mãos, somando o aprendizado dos trabalhos anteriores, Beach House cria leques sonoros, abre perspectivas, avança e amplia sua sonoridade, entretanto mantém firme o dream-pop que o consagrou em suas características principais.

‘7’ não é um disco longo. Entretanto, a audição das onze faixas precisa ser executada com calma, dedicação e notando detalhes. Precisa de absorção gradual e ela não acontece instantaneamente. Riqueza de texturas (‘Dive’), a voz de Victoria que ousa em se multiplicar (em ‘L’inconnue’ a cantora se dá ao luxo de cantar em francês e, adivinhem, cita números na letra), a certeza de estarmos ouvindo um disco cuja sonoridade principal é o dream-pop, mas que teima em passear por outros gêneros (traços do shoegaze que teimam dar as caras em ‘Dark Spring’).

Na faixa ‘Black Car’ o duo segue um caminho com ênfase no R&B, mas sem perder ou tirar o sabor sonoro do disco, ganhando um contorno com aspecto dançante. O clima psicodélico/retrô que domina ‘Lose Your Smile’ cai perfeito em seguida, algo que poderia muito bem estar no ‘Moon Safari’ (1998), primeiro disco do Air (quando a influência é algo necessário no cenário musical).

‘Woo’ deixa o ouvinte atônito que tenta compreender o que é dito em cada frase, cada voz proferida por Victoria num estilhaços de vozes. Uma canção em que sintetizadores e guitarras tornam tudo ainda mais confuso (a confusão que nós adoramos, entenderam?). Pode até aparecer a melancolia etérea de ‘Girl Of The Year’ em seguida que sequer nos sentimos incomodados.

Número é o que menos importa neste disco do Beach House. Entretanto, ‘7’ precisa ser escutado durante os 7 dias da semana. Quase uma dedicação para, eu diria, não a matemática, mas sim, para a boa música que ainda nos prende a atenção com boas razões.

:: NOTA: 8,5

:: FAIXAS:
01 – Dark Spring
02 – Pay No Mind
03 – Lemon Glow
04 – L’inconnue
05 – Drunk In LA
06 – Dive
07 – Black Car
08 – Lose Your Smile
09 – Woo
10 – Girl Of The Year
11 – Last Ride
::

::Mais Informações:
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:: Assista abaixo ao vídeo de ‘Dark Spring’:

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