THE DECEMBERISTS – I’ll Be Your Girl (2018)


Com maior presença de sintetizadores, disco novo do The Decemberists não rende o bastante, apesar de não falhar por completo.

Ouvir ‘I’ll Be Your Girl’ traz dois sentimentos para o ouvinte. Sentir-se desnorteado pela efusiva e excêntrica ‘Rusalka, Rusalka’ ou então, voltar aos velhos tempos do The Decemberists de doze anos atrás e se emocionar no folk épico e repleto de detalhes de ‘Wild Rushes’. Só um detalhe: as duas canções citadas estão ligadas, numa espécie de suíte, entregam oito minutos do que a banda pode oferecer. A primeira música talvez entregue uma parte experimental e nova que os americanos pretendem abarcar, a segunda, por sua vez, deixa a banda como sempre ficou conhecida.

Com 18 anos de carreira, o grupo de Colin Meloy teve seu auge nos álbuns ‘Picaresque’ (2005) e ‘The Crane Wife’ (2006). Uma época onde os americanos ficaram no topo e passaram a ser considerados como uma das promessas no cenário indie. Claro, dentro de uma sonoridade folk, Colin e sua turma ficaram conhecidos por trazer novos ares ao gênero casando o próprio com o pop-rock e criando canções quilométricas e recheadas de detalhes. Era um folk além do que estávamos acostumados a ouvir. Um folk desses novos tempos (alguns até classificam de Baroque Pop).

Nota-se uso bem constante de sintetizadores, talvez por conta da produção de John Congleton (Depeche Mode e New Order). ‘Cutting Stone’ é um bom exemplo.

‘Severed’ é outra que vem com um pé infiltrado na eletrônica. A guitarra se une a uma batida marcante revelando um The Decemberists bem empolgado e menos acústico. ‘Starwatcher’ traz uma profusão de instrumentos que novamente trazem uma batida incisiva e até harmônica surge. Realmente é um álbum efusivo, o orgânico e o acústico não impera, a exceção da serena ‘Tripping Along’ que é baseada em cordas e voz, aqui Colin Meloy trazendo sua imponente voz com direito aos jogos vocais de costume.

Problema vai ser depois da metade do disco. ‘Everything Is Awful’ vem como um rock de arena, porém desnecessário. ‘We All Die Young’ é monótona e nem os sopros com uma pegada de Blues conseguem salvar a canção. ‘Your Ghost’ lembra ‘The Perfect Crime #2’ (de ‘The Crane Wife’), contudo sem o mesmo brilho. Igualmente, encaixar o insosso folk-rock ‘Sucker’s Prayer’ no meio de duas canções agitadas não funcionou bem e ficou uma faixa apagada, sem destaque.

The Decemberists cria um disco regular, contudo, longe de ser um desastre. O grupo de Colin Meloy toma outras direções (a exemplo de mais adição de elementos eletrônicos) e entra talvez num terreno perigoso, mas não se atola de vez. ‘I’ll Be Your Girl’ funciona de forma alternada, apesar de ter alguns momentos onde a banda mostra porque chegou até aqui e os méritos que ainda possui. Próximos trabalhos podem vir no mesmo nível ou, conforme a própria vida nos ensina, chegarem mais rebuscados e aprimorados pela experiência que a banda vai somando. Nós, ouvintes, aguardamos sempre a segunda opção.

::Nota: 6,5:

::Faixas:
01 – Once In My Life
02 – Cutting Stone
03 – Severed
04 – Starwatcher
05 – Tripping Along
06 – Your Ghost
07 – Everything Is Awful
08 – Sucker’s Prayer
09 – We All Die Young
10 – Rusalka, Rusalka / Wild Rushes
11 – I’ll Be Your Girl

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::Maiores Informações:
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::O vídeo de ‘Severed’:

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