Unravel e a Imortalidade dos Jogos de Plataforma


“Jogo criativo, emocionante e cheio de ideias continua o legado dos velhos e bons jogos de plataforma que nunca sairão de moda”

Visito frequentemente redes sociais como Twitter e me deparo exaustivamente com lançamentos de jogos, filmes e discos. Como a internet possibilitou essa imensidão de informações, claro que nem tudo será absorvido e apesar de algumas produções artísticas receberem hype, a espera pode não valer e aquilo se tornar uma decepção amarga. Foi num certo dia em 2015 que vi um boneco vermelho, feito de lã, anunciando que ele seria o protagonista de um novo jogo de plataforma. Desde aquele momento, fiquei muito curioso pela imagem, frisando na mente que deveria jogar aquele futuro lançamento. Não pensava em jogar logo pela falta da plataforma que o jogo seria lançado (como tinha o PS3, o console não teria essa chance de ouro de receber o jogo, uma lástima).

Unravel segue a linha dos jogos de plataforma. Não dá para caracterizar fielmente e por completo esse gênero de jogos aqui, no presente texto. Resumindo, e como o próprio nome sugere, são jogos em que passamos por obstáculos e plataformas, coletando itens, enfrentando inimigos e na maioria das vezes, somos desafiados por puzzles para seguir adiante. Jogo que começou em 2D, hoje atinge o 3D, mas o charme maior para alguns jogadores nostálgicos é manter o padrão 2D, porém com toda a modernidade, usando cores e cenários mais vivos e com os recursos que a tecnologia proporciona. Ou então, quando englobam uma fusão entre o 2D e o 3D e que são comumente chamados de 2,5D (2D e meio). Tais jogos englobam uma perspectiva mais geométrica, fundindo as duas dimensões.

Esse gênero de jogo teve seu auge na época do NES/Mega Drive (Donkey Kong, Mario Bros, Contra, Sonic, Castlevania), entretanto também se expandiu bastante nos tempos de PS1 e PS2 com muitos nomes de peso que ficaram consagrados e calcificados no tempo: Tomba, Pandemonium, Crash Bandicoot, Oddworld, Skullmonkeys, o primeiro Gex, entre tantos outros. Jogos de plataforma envolvem bastante física (Trine, Little Big Planet e o próprio Unravel), trazem muitos puzzles (Limbo, Teslagrad, Oddworld), podem sim ter elementos de RPG (Child Of Light), os reflexos e saltos que o jogador faz precisam ser apurados. Jogadores da velha guarda tendem a ser mais adeptos desse gênero de jogos.

A partir de 2000, os jogos de plataforma não receberam tanta atenção, talvez por conta de uma geração de jogadores mais preocupados em jogos como Call Of Duty, com uma suposta ação mais frenética e voltada exclusivamente para um panorama mais online e de multiplayer. Talvez os jogos de plataforma ainda sofram com esse estigma, de que vieram num universo totalmente centrado para o single-player, todavia a nova geração desmente isso com jogos que ficam melhores jogados em co-op a exemplo de Little Big Planet.

Unravel foi produzido pela sueca Coldwood Interactive e publicado pela Eletronic Arts em fevereiro de 2016. A produtora sueca trouxe muito da paisagem escandinava para os cenários do jogo : florestas, lagos e neve.

No jogo, você controla o personagem Yarny, um boneco feito de novelo de lã. Composto de doze capítulos, o jogador terá que lidar com os já conhecidos elementos dos jogos de plataforma (lugares altos, obstáculos, puzzles). O interessante de Unravel são os inimigos que na verdade nem precisam ser derrotados, apenas desvencilhados. Yarny precisa se esquivar deles, para isso usará do próprio fio para criar armadilhas ou então arranjar uma plataforma mais alta para escapar. Caranguejos, doninhas e mosquitos podem atrapalhar sua jornada, mas com esperteza e o uso de elementos naturais nosso querido personagem nem precisa enfrentá-los. O mesmo fio que faz parte do corpo de Yarny também será usado para criar pontes e arrastar objetos, armar um laço para lançá-lo em plataformas altas e fazê-lo balançar por entre lugares perigosos.

Claro que os próprios elementos da natureza já citados anteriormente podem se tornar um empecilho: pedras que rolam podem te matar, despencar de lugares altos não poupa sua vida, cenários com lagos profundos são lugares fáceis para afogar o personagem, toras de madeira que afundam, penhascos em grutas que podem desabar, correntes de vento que te jogam pra longe. A física do jogo é muito bem realizada. Empurrar caixas exige esforço e estratégia, entretanto as próprias caixas podem servir de plataforma em lugares perigosos. Até o corpo do personagem foi bem estudado. Yarny não anda por muito tempo sem coletar mais lã, e nisso os produtores foram inteligentes e criaram checkpoints precisos (não adianta você querer burlar seu percurso). O corpo do personagem é seu limite, porém sua própria salvação. Outro fato curioso é que o pulo de Yarny não é longo, muito menos nosso personagem tem dois saltos em seguida (como a maioria dos jogos desse gênero). Yarny é bem frágil e precisa muitas vezes de outro apoio para chegar a lugares mais altos.

Apesar de estarmos numa época em que qualquer dúvida corremos a um guia ou ao Youtube, interessante se aventurar em Unravel sem olhar vídeos e famigerados detonados. Curtir mais o jogo, sentir-se recompensado em passar por florestas, praias, usinas, campos e jardins com esse boneco de lã. Mesmo com um clima não tão frenético e acelerado como Crash Bandicoot e Rayman, o jogo da Coldwood passa seus momentos mágicos e inesquecíveis como a cena do campo com pombos e a do carro sendo compactado num ferro-velho (que, inclusive, minha mãe de 75 anos aplaudiu).

Se eu tenho algo contra? Muito pouco. Considerei os três últimos capítulos abaixo do que o jogo me proporcionou no início. A dificuldade foi menor e o jogo teve menos desafios. Parece que os produtores esgotaram suas ideias e o capricho não foi tão refinado. Claro que isso não tira o brilho de tudo que ficou em Unravel e que pode ficar mais aprimorado numa sequência. Vale lembrar que é fácil morrer em alguns capítulos, entretanto o jogo nunca é frustrante e mesmo o troféu de passar todos os capítulos sem morrer não é tarefa complicada (isso para os caçadores de troféus/conquistas). Desde o carinhoso recado dos produtores logo no início do jogo (por favor, não deixe de ler) passando por toda uma concepção artística, Unravel é o futuro dos jogos de plataforma. Futuro esse que pegou emprestado o melhor do gênero no passado e agora lança novas perspectivas e diz que jogo de plataforma morreu só pra quem parou no tempo.

:: OBS: Não deixo nota no jogo pois a matéria serviu mais para ligar o conceito do jogo com todo um gênero que continua aceso e com muitas novidades no mercado.

::Mais Informações:
Site da EA Twitter

::Assista abaixo ao Trailer do Jogo:

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