CIGARETTES AFTER SEX – Cigarettes After Sex (2017)


“Canções de tom intimista sobre des(encontros) amorosos como poucas desse ano”

Da improvável El Paso (Texas) brota a música de clima intimista e cheia de delicadeza do quarteto Cigarettes After Sex, qua alguns tem chamado apressadamente de ambient music. Surgida em 2005, só agora lançaram seu homônimo primeiro álbum, onde através de dez canções, quantidade clássica para um álbum, convidam o ouvinte para uma viagem tranquila através de guitarras melódicas em reverb, arranjos de variações mínimas e um vocal quase sussurrado que vai narrando de encontros amorosos a tardes de sexo sem compromisso.

Musicalmente a sonoridade do grupo sugere um encontro de Mazzy Star (nos arranjos de poucas variações e clima melancólico), com Beach House (nos dedilhados sutis de guitarra e paisagens sonhadoras). Impossível ao ouvir a música do grupo não lembrar de uma entrevista com o Cocteau Twins onde eles contavam que as pessoas costumavam lhes falar que usavam a música deles para as situações mais “inusitadas”. Entre a sensualidade e a melancolia, a música do Cigarettes talvez se enquadre na mesma categoria do trio escocês. Talvez por isso o rótulo de ambient music, que em parte faz sentido e em parte não, já que como qualquer rótulo tende a ser limitador. Mas também poderiam chamar de sad-dream, uma mistura de sadcore com dreampop.

Escolha um rótulo ou não, a música de Greg Gonzalez (vocalista) e seu grupo é das coisas mais elegantes e ao mesmo tempo charmosas lançadas nesse ano

Segue esse compasso desde a abertura com os dedilhados reverberantes de ‘K’, o K é de Kristen, a garota por que Gonzalez diz lembrar quando notou pela primeira vez que ela também gostava dele:”Estávamos sentados em um restaurante esperando o cheque, tínhamos feito amor no início daquele dia, sem compromisso, mas eu poderia dizer que algo mudou como você me olhou, então… Kristen, volte logo, estive esperando que você voltasse na cama, quando você acende a vela”.

Em geral essa é a tônica das letras de Gonzalez ao longo do disco, narrando encontros e desencontros amorosos das formas mais variadas e com romantismo em diversos momentos. Em cada letra alguma ou algumas frases carregadas desse romantismo embriagado de saudade e tristeza. Está lá na densa “Each Time You Fall in Love”: ” Cada vez que você tem um sonho, você nunca sabe o que significa. Você vê essa estrada aberta e nunca sabe o caminho a seguir. E, cada vez que você se apaixona, claramente não é suficiente”; na onírica “Sunsetz” (que se parece bastante com “Apocalypse”): “Isso sempre acontece comigo dessa maneira. Visões recorrentes de dias tão bons.Quando você vai embora eu ainda vejo você com a luz do sol em seu rosto através da visão traseira”. Tudo acompanhado de forma precisa pelo baixo profundo, a bateria quase imperceptível, e as guitarras ou teclados cheias de climas, uma conspiração.

É um álbum intimista, composto por um punhado de canções de andamento lento, letras pungentes (que merecem acompanhamento) e arranjos tão delicados que parecem facilmente fáceis de serem desfeitos. Exige sua atenção e caso você não dê, o problema será somente seu, pois ainda assim essas músicas estarão lá. Se você permitir, poderão ser suas companheiras hoje, amanhã e qualquer dia que você desejar “esquecer da vida”, nem que seja por quarenta e sete minutos.

:: NOTA: 8,0

:: FAIXAS:
01. K.
02. Each Time You Fall in Love
03. Sunsetz
04. Apocalypse
05. Flash
06. Sweet
07. Opera House
08. Truly
09. John Wayne
10. Young & Dumb

 

 

:: Ouça abaixo o álbum na íntegra:

Previous ENTREVISTA COM THE BAGGIOS
Next LIVING COLOUR - Shade (2017)

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *