The Police – Outlandos d’Amour (1978)


DISCOGRAFIA COMENTADA: THE POLICE (PARTE 1)

Em 1976, após um encontro num clube de jazz, Stuart Copeland (bateria), Gordon Sumner AKA Sting (baixo e voz) e Henry Padovani (guitarra) resolvem formar o The Police. Dois meses após já faziam seu primeiro show. Com essa formação inicial, gravaram em 1977 o single “Fall Out”/”Nothing Achieving”.

Ainda em 77, Sting aceita o convite de Mike Howlett, baixista do Gong, para participar do Strontium 90. Junto consigo, Sting traz Copeland, e Howlett apresenta o guitarrista Andy Summers à dupla. Juntos fazem alguns shows e gravações, que viriam a ser lançadas em 1997 no álbum “Strontium 90: Police Academy”.

Impressionado com a habilidade de seus companheiros, Summers os convence a deixá-lo participar do Police. Com isso a banda passar a ser provisoriamente um quarteto, com Summers, guitarrista profissional já rodado, assumindo a guitarra solo.

A entrada de um segundo guitarrista e com mais técnica desagradou Padovani, criando um clima de tensão com Summers, que se irritava com a pouca técnica de Padovani. Ainda em 77, Padovani deixa a banda. Mais tarde ele viria a formar a sua própria , a Flying Padovanis.

Reduzidos a um trio, formação que se manterá para sempre, o Police cumpre uma agenda de muitas apresentações em 1977, aprimoravam sua música e iam fazendo sua reputação. Estavam no olho do furacão punk e, conforme palavras dos mesmos, em suas apresentações procuravam ser o mais econômicos e crus quanto possível para que fossem “aceitos” tanto pelo público quanto pelas casas de shows, já que todos eram músicos habilidosos e o lema punk era de canções com poucos acordes e mais atitude.

Em janeiro de 1978 o trio começou as sessões de gravação de “Outlandos d’Amour” no Surrey Sound Studios, em Londres. Na produção, Nigel Gray.  Devido aos recursos escassos, o processo de gravação se estendeu até o mês de agosto, com a banda aproveitando os horários vagos do estúdio. Em abril de 78 lançam o single “Roxanne”, que segundo Sting  teria sido composta em ritmo de bossa nova, o que não agradou David Copeland, que esperava que a banda seguisse pelo caminho do punk e fez com que a banda desse uma outra roupagem à canção. Lançado pela A&M, “Roxanne” não consegue emplacar nas paradas. “Roxanne” foi composta quando a banda se encontrava em Paris, hospedada num hotel próximo a prostíbulos, o cenário serviu de inspiração para a letra de Sting.

A banda tem então uma segunda chance da gravadora com “Can’t Stand Losing You”, que alcança a quadragésima segunda posição e garante o lançamento pela gravadora do primeiro álbum.

Sobre a letra de “Can’t Stand Losing You”, segundo Sting, fala sobre o suicídio de um adolescente, ilustrado pela foto da capa (que chegou a ser banida), que mostra Copeland simulando um enforcamento.

“Outlandos d’Amour” (falando de amor) é lançado em novembro de 1978. Miles Copeland, irmão de David Copeland e empresário da banda, queria que se chamasse “Police Brutality”, ainda na tentativa de vender o grupo como uma banda punk, mas acabou aceitando a ideia e prevaleceu a vontade da banda. Todas as faixas são de autoria de Sting, que começava a assumir certa posição de liderança na banda, o que viria a ser motivo de brigas diversas.

Como primeiro álbum, “Outlandos” mostra dois lados do Police: o lado mais punk e visceral do início da carreira, evidente em faixas como “Next to You” e “Peanuts”, e o lado que viria a predominar em seus trabalhos seguintes, com clara influência de reggae e ska, como em “So Lonely”, “Roxanne”e “Can’t Stand Losing You”. É um álbum que toma três direções diferentes, as duas já citados e mais um terceira em que se permitem experimentar e tentar outras sonoridades, daí surge a new-wave de “Hole in My Life”, o rock direto de “Truth his Everybody”, “Be my Girl, Sally” e “Born in the 50’s”.

O álbum acaba soando diversificado, mas irregular, indefinido, com cada um dando o melhor de si, é verdade, mas não chegando a alcançar o melhor que a banda poderia fazer em estúdio. É o retrato de uma banda ainda buscando encontrar seu som e enquanto isso não acontece vai experimentando. Apesar disso, traz canções que viriam a se tornar clássicos.

Finalizando os lançamentos do ano de 1978, lançam “So Lonely”, terceiro e último single. Anos mais tarde Sting confessaria que se inspirou em “No Woman No Cry”, de Bob Marley, para compor a canção.

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